AP Photo/Maya Alleruzzo
AP Photo/Maya Alleruzzo

Estado Islâmico destrói mosteiro cristão de 1,4 mil anos no Iraque

Mais antigo do país, templo de São Elias era herança dos primórdios do cristianismo no Oriente Médio

O Estado de S. Paulo

20 Janeiro 2016 | 16h31

ERBIL , IRAQUE - O mosteiro cristão de São Elias, o mais antigo do Iraque, foi destruído pelo Estado Islâmico, no mais recente ataque do grupo terrorista a heranças culturais de outras religiões e etnias no Iraque e na Síria. As ruínas de 1,4 mil anos, que ficam em Mossul, a principal cidade iraquiana sob controle do EI, foram reduzidas a destroços, conforme indicam fotos de satélite obtidas com exclusividade pela Associated Press

"Não consigo descrever minha tristeza", disse o reverendo Thabit Habib, responsável pela igreja em Mossul, mas exilado em Erbil, no Curdistão iraquiano, desde a chegada do EI. "Nossa história cristã em Mossul está sendo barbaramente aniquilada. Estamos testemunhando uma tentativa de expulsar-nos do Iraque e eliminar nossa existência neste país."

Desde que se proclamou um califado em meados de 2014, o EI tem perseguido minorias étnicas e religiosas no Iraque e na síria, como curdos, yazidis, cristãos e assírios. A destruição de templos históricos também tem sido uma prática comum, como foi o caso do Museu Assírio de Mossul e as ruínas de Palmyra. No total, mais de 100 sítios arqueológicos foram destruídos pelo EI, entre mesquitas, tumbas, igrejas e templos. 

"Uma grande parte da história foi destruída", lamentou o reverendo Manuel Yousif Boji, um católico caldeu iraquiano que emigrou para os Estados Unidos e cursou o seminário em Mossul. "Essas perseguições não são novidade para a nossa igreja, mas acreditamos na verdade e na palavra de Deus."

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, lembrou que como o mosteiro antecede a cisão entre as Igrejas do Oriente e Ocidente representa uma perda para ortodoxos e católicos. "Infelizmente, essa destruição sistemática de locais preciosos, não apenas culturalmente, mas religiosa e espiritualmente, é muito triste e dramática", declarou.

A restauradora Suzanne Bott, que trabalhou por dois anos no Mosteiro de São Elias a pedido da seção cultural do Departamento de Estado americano lamentou a destruição. "Perdemos evidências tangíveis das raízes de uma religião", disse. 

Em agosto, militantes do EI destruíram uma parte do templo de Bel, considerado o mais importante de Palmyra. Uma semana antes, os radicais fizeram o mesmo com o templo de Baal. Palmyra foi nos séculos I e II d.C. um dos centros culturais mais importantes do mundo antigo e ponto de encontro das caravanas na Rota da Seda. / AP e REUTERS

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