EI executa 50 sunitas de uma tribo iraquiana

Assassinatos seriam em retaliação ao apoio que essas comunidades dão ao governo no combate aos jihadistas

BAGDÁ , O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2014 | 02h02

O grupo extremista Estado Islâmico (EI) matou 50 iraquianos - homens, mulheres e crianças - de uma mesma tribo ontem, após enfileirá-los e atirar em suas cabeças. Segundo funcionários do governo iraquiano, esse foi o mais recente episódio da brutal e recorrente prática do grupo.

Os assassinatos, todos cometidos em público, elevaram o número de mortos na tribo sunita de Al-Bu Nimr, nos últimos dias, para 150, sugerindo que o EI passou a ver esse grupo como uma ameaça. Antes, comunidades sunitas na volátil Província de Anbar demonstravam apoio à expansão do EI.

O ataque de ontem ocorreu no vilarejo de Ras al-Maa, ao norte da capital da província, Ramadi. Um dos membros da tribo, Sheik Naim al-Gaoudt, explicou à agência Associated Press que os militantes mataram ao menos 40 homens, 6 mulheres e 4 crianças. Depois, teriam sequestrado outras 17 pessoas.

Uma fonte do governo da província confirmou a versão, sob condição de anonimato. Ela afirmou ainda que, na sexta-feira, o EI matou 50 membros de uma tribo, um dia depois de assassinar 48 deles.

Os militantes do EI têm invadido grande parte da Província de Anbar em um esforço para expandir seu território no Iraque e na Síria.

Funcionários do governo iraquiano, assim como os da coalizão liderada pelos Estados Unidos para combater os extremistas, têm dito repetidamente que as tribos iraquianas são elementos-chave na luta contra o grupo, uma vez que são capazes de penetrar áreas inacessíveis aos ataques aéreos e forças terrestres.

Alguns sunitas em Anbar apoiaram os militantes quando eles tomaram partes de Fallujah e de Ramadi, em dezembro. Esse apoio veio depois de protestos sunitas generalizados contra a coalizão de governo comandada por xiitas em Bagdá, a quem acusavam de dar-lhes um tratamento de segunda classe.

As tribos sunitas, porém, têm ajudado e combatido lado a lado com as forças iraquianas os militantes islâmicos. Ramadi ainda não caiu nas mãos do EI graças aos esforços dessas tribos na cidade. O mesmo se repete em pelo menos outras duas cidades do norte do país.

O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, e seu novo governo prometeram ontem criar uma guarda nacional comunitária que poderia dar poderes a essas tribos locais.

Atentado. A violência atingiu também a capital Bagdá ontem. Um ataque com um carro-bomba em uma rua de barracas de comida no distrito xiita de Bayaa matou 14 pessoas. O local era um ponto de apoio para peregrinos xiitas que seguiriam depois para a cidade sagrada de Kerbala para celebrar os dez dias da Ashura, feriado islâmico. Segundo fontes médicas, outras 32 pessoas ficaram feridas.

Autoridades disseram ainda que uma bomba colocada na beira de uma estrada foi detonada e atingiu uma patrulha do Exército, matando dois soldados e ferindo quatro em Abu Ghraib, subúrbio de Bagdá. No leste da capital, outra bomba foi colocada em uma rua comercial matando três pessoas.

Patrimônio. No avanço sobre o Iraque, o EI tem deixado também danos ao patrimônio cultural do país, destruindo vários e antigos sítios religiosos, que eles acusam de promover apostasia. "Não podemos concordar que esses tesouros sejam destruídos dessa maneira bárbara", disse ontem a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, durante sua visita ao Iraque. / AP

A Frente al-Nusra, filial da Al- Qaeda na Síria, tomou o controle de mais cinco povoações na Província de Idlib, após combates com o moderado Exército Livre Sírio (ELS). O grupo domina agora a maior parte da área de Jabal al-Zauya, na fronteira com a Turquia, e tem atraído membros do Estado Islâmico (EI) ao país.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos informou que as localidades que caíram em mãos dos jihadistas estavam sob o domínio de brigadas do ELS e de outros grupos islâmicos aliados.

A ofensiva em Idlib começou há uma semana, após ataque contra a capital da província, repelido pelas forças do regime de Bashar Assad, que controlam a cidade. / EFE

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