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EI explode mesquita emblemática em Mossul, diz Iraque 

A mesquita, também conhecida como a Grande Mesquita de Mosul, foi onde o líder do EI, Abu Bakr al-Baghdadi, proclamou o 'califado islâmico', em 2014

O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2017 | 16h58
Atualizado 21 de junho de 2017 | 19h40

BAGDÁ - O Exército iraquiano e meios de comunicação locais acusaram nesta quarta-feira, 21, os terroristas do grupo Estado Islâmico (EI) de destruir, com explosivos, a simbólica mesquita Al-Nuri, onde seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi, proclamou o “califado islâmico” em 2014. 

O porta-voz do comando de Operações Conjuntas, Yahya Rasul, disse à emissora de TV curdo-iraquiana Rudaw que os combatentes do EI puseram explosivos no templo, construído no século 12, na sua fuga da cidade.

No entanto, em uma mensagem distribuída em um de seus sites de propaganda, o EI acusou a coalizão internacional de destruir a mesquita em um bombardeio. A coalizão internacional liderada pelos EUA tem fornecido apoio com bombardeios aéreos e logística em solo à ofensiva de forças iraquianas iniciada em outubro para a retomada da cidade, a segunda maior do Iraque. Um porta-voz da coalizão negou que tenha havido bombardeios na região da mesquita.

Horas antes, as forças iraquianas anunciaram que estavam prontas para invadir a mesquita, conhecida por seu minarete inclinado, o Al-Hadba. “Nossas forças estavam avançando na Cidade Velha quando, após terem chegado a 50 metros da mesquita Al-Nuri, o Daesh (acrônimo em árabe do EI) cometeu um novo crime histórico, ao explodir a mesquita de Al-Nuri e o ‘hadba’”, declarou o general iraquiano Abdulamir Yarallah, em comunicado. 

Um comandante das forças antiterroristas, Sami Kadem al-Ardi, também afirmou que, após “violentos combates” iniciados na madrugada de ontem, suas unidades chegaram “a dezenas de metros” do acesso à mesquita. As forças iraquianas divulgaram imagens aéreas das ruínas do templo destruído.

Os extremistas estão cercados pelas forças iraquianas nas últimas ruas que ocupam naquele que foi o seu principal feudo no Iraque, depois de anunciada, na segunda-feira, a fase final da ofensiva de Mossul.

Na campanha pela retomada, em janeiro, as forças de segurança conseguiram libertar os bairros ao leste do Rio Tigre e, desde fevereiro, as tropas iraquianas estão combatendo os terroristas no oeste da cidade. Antes da ocupação do EI, em 2014, Mossul chegou a ter cerca de 2 milhões de habitantes. 

A Al-Nuri é também conhecida como a Grande Mesquita de Mossul. Seu nome homenageia Nur al-Din Mahmoud Zangi, governante turco de Mossul e Alepo, e foi construída por ele entre 1172-1173. Nur al-Din é reverenciado por ter estabelecido a ortodoxia sunita sobre as práticas religiosas xiitas, as duas principais divisões dentro do Islã. O EI afirma ser seguidor das práticas islâmicas sunitas e considera os xiitas hereges. / AFP, EFE, REUTERS e AP

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