EI obriga mídia social a reavaliar liberdade de expressão

Quando um terrorista solitário massacrou 38 turistas em um resort na Tunísia, dia 26, o Estado Islâmico recorreu a uma das principais empresas de mídia social dos EUA para reivindicar a autoria do atentado e ameaçar os "infiéis" do mundo com novos ataques. "Foi um ataque doloroso e uma mensagem manchada de sangue", anunciou o EI no Twitter depois do massacre em Sousse. "Eles que esperem pelas notícias do que os atingirá nos próximos tempos, se for a vontade de Alá."

Scott Higham e Ellen Nakashima , O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2015 | 02h04

Três dias depois do ataque, o EI usou outra plataforma popular de mídia social americana, o YouTube, do Google, para divulgar um sinistro vídeo de propaganda de três execuções separadas. Homens acusados de cooperar com ataques aéreos coordenados pelos EUA, no Iraque e na Síria, estão sendo incinerados dentro de um carro, afogados dentro de uma gaiola que é baixada dentro de uma piscina e decapitados por colares de explosivos enrolados em seus pescoços.

As versões persistem no YouTube, apesar de executivos da empresa terem declarado, durante um festival internacional de publicidade naquela semana, em Cannes, na França, que o Google não forneceria um "canal de distribuição para essa pavorosa propaganda terrorista".

Embora o EI continue a controlar grande parte do Iraque e da Síria e a inspirar ataques terroristas em um número crescente de países, ele agora depende de empresas americanas de mídia social para convocar novos recrutas para sua causa, difundir sua propaganda e ordenar ataques, segundo analistas de contraterrorismo. "Também devemos reconhecer que o EI tem sido eficaz em atingir e recrutar pessoas vulneráveis mundo afora, até mesmo nos EUA", disse o presidente Barack Obama, no dia 6, ao Pentágono. "Sendo assim, os EUA continuarão a fazer a sua parte, trabalhando com parceiros para rebater a propaganda do ódio do EI, especialmente online."

A habilidade do grupo jihadista em usar a mídia social apresenta problemas difíceis para muitas empresas americanas. Como preservar plataformas globais que oferecem fóruns para a expressão e impedir grupos como o EI de explorar os princípios de liberdade de expressão para promover sua campanha terrorista?

"O EI vem nos confrontando com essas imagens realmente desumanas e atrozes. E há pessoas que acreditam que se você digitar 'jihad' ou 'EI', no YouTube, não deveria obter resultados", disse Victoria Grand, diretora de estratégia do Google, em entrevista ao Washington Post. "Não acreditamos que deva ser assim. Na verdade, muitos resultados que se veem no YouTube são educativos sobre as origens do grupo, informando sobre os perigos e a violência. O objetivo é como encontrar um equilíbrio entre permitir que as pessoas discutam e tenham acesso a informações. E não nos tornarmos um canal de distribuição da propaganda do EI."

No começo do mês, a Comissão de Inteligência do Senado americano aprovou um projeto de lei exigindo que as empresas de mídia social alertem autoridades federais sobre conteúdos relacionados ao terrorismo em seus sites. O projeto busca prover as agências com informações sobre potenciais planos terroristas. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

* SÃO JORNALISTAS

 

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