EI pede ataques contra cidadãos da coalizão liderada pelos EUA

Grupo extremista afirmou, num comunicado divulgado em site de monitoramento, que Obama e forças ocidentais seriam derrotados

O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2014 | 10h42

BAGDÁ - O Estado Islâmico (EI) pediu nesta segunda-feira, 22, a seus seguidores que ataquem cidadãos dos Estados Unidos, França e outros países que fizerem parte da coalizão formada para destruir o grupo extremista.

O porta-voz do EI, Abu Muhammad al-Adnani, também provocou o presidente dos EUA, Barack Obama, e outros "cruzados" ocidentais em um comunicado divulgado pelo website de monitoramento SITE, dizendo que suas forças enfrentariam uma derrota inevitável perante o poderio dos jihadistas.

Os EUA estão formando uma coalizão internacional para combater o grupo radical sunita, que tomou grandes faixas de território no Iraque e na Síria e proclamou um califado no coração do Oriente Médio.

Aviões de guerra dos EUA e França bombardearam alvos do EI no Iraque, e, no domingo, Washington disse que outros países haviam indicado disposição para se unirem aos esforços, caso a coalizão prossiga contra alvos na Síria também.

Adnani disse que a intervenção militar pela coalizão seria a "campanha final dos cruzados", de acordo com a transcrição publicada pelo SITE. "Ela será rompida e derrotada, assim como todas as suas campanhas anteriores foram rompidas e derrotadas", disse ele, pedindo que seus seguidores atacassem americanos, canadenses, australianos e cidadãos de outras nacionalidades.

Obama autorizou ataques aéreos na Síria para evitar que combatentes do EI buscassem abrigo no país. Washington também comprometeu US4 500 milhões para armar e treinar rebeldes sírios e enviou 1.600 soldados americanos de volta ao Iraque para combater o grupo.

Em seu pronunciamento, Adnani zombou de líderes ocidentais por estarem aprofundando o engajamento militar na região e disse que Obama estava repetindo os erros de seu antecessor, George W. Bush. "Se você combatê-lo (o Estado Islâmico), ele se torna mais forte e resistente. Se você deixá-lo quieto, ele cresce e se expande. Se Obama prometeu a você derrotar o Estado Islâmico, então Bush também mentiu antes dele", disse Adnani, segundo a transcrição.

Dirigindo-se diretamente ao presidente americano, o porta-voz acrescentou: "Mula dos judeus, você disse hoje que a América não seria atraída novamente para uma guerra em solo. Não, ela será atraída e arrastada novamente. Isso acontecerá no solo e levará à sua morte e destruição."

Obama, que passou grande parte de seu mandato tirando os EUA do Iraque após uma custosa ocupação desde 2003, está cauteloso sobre afirmações de que está sendo arrastado para outra longa campanha que colocará vidas de soldados em risco.

Embora o líder americano tenha descartado uma missão de combate, representantes militares dizem que a realidade de uma campanha ampla no Iraque, e possivelmente na Síria, pode exigir um uso maior de tropas americanas. / REUTERS

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