El Baradei: caso iraniano em fase crítica, mas não em crise

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed El Baradei, disse hoje que a disputa sobre o controvertido programa nuclear do Irã se encontra "em fase crítica, mas não é uma situação de crise". El Baradei acrescentou que é preciso gerar "confiança", já que não se trata "de uma ameaça imediata".O Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) está reunido hoje em Viena com o objetivo de adotar uma resolução sobre o caso iraniano. É grande a possibilidade de envio da questão ao Conselho de Segurança da ONU.El Baradei disse que o Conselho da AIEA quer enviar "uma mensagem clara" ao Irã, de que o país deve cooperar com a comunidade internacional. Mas ele ressaltou que, por enquanto, não "se trata de pedir ao Conselho de Segurança (da ONU) que entre em ação".Perguntado se é possível evitar que o caso do Irã seja levado ao Conselho de Segurança, El Baradei disse que "há uma maioria que prefere informar o Conselho agora". "A AIEA quer oferecer uma janela de oportunidade, um sinal claro de que o Irã deve tomar mais medidas para criar confiança", acrescentou, em referência à resolução que estipula que o Conselho de Segurança não deve entrar em ação até sua próxima reunião, em 6 de março. Nesta data o organismo deve receber um novo relatório da AIEA.El Baradei lembrou, por sua vez, que ninguém na AIEA "está pondo em dúvida o direito do Irã de ter acesso à energia nuclear para fins pacíficos", tal como estipula o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP), assinado também pela República Islâmica."No entanto, (por enquanto) o Irã não deveria enriquecer (urânio), já que é um elemento muito sensível que pode servir para fazer bombas", disse o diretor-geral, acrescentando que Teerã "não tem nenhuma urgência para enriquecer, já que o único reator que tem receberá combustível da Rússia". O empenho do regime de Teerã em enriquecer urânio a todo custo "não é bom para criar confiança", disse El Baradei.Devido à insistência do Irã em obter essa tecnologia, os Estados Unidos e a União Européia (UE) suspeitam que Teerã queira usar seus conhecimentos para construir armas nucleares, algo que a República Islâmica nega.Alemanha, França e o Reino Unido (UE-3) apresentaram na quarta-feira uma resolução que deverá ser adotada pela AIEA. O documento pede a El Baradei que envie um relatório ao Conselho de Segurança sobre os descumprimentos iranianos do regime de salvaguardas (controles) nucleares. Para poder ser adotada, a resolução requer o apoio de uma maioria simples dos 35 países-membros da Junta. A votação sobre a resolução só deve ser realizada amanhã.

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