El Baradei critica a ONU e pede diálogo EUA- Irã

O ex-chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA, na sigla em inglês), Mohammed El Baradei, disse hoje, ao participar do evento Fronteiras do Pensamento, em São Paulo, que não está convencido de que armas nucleares ainda tenham alguma utilidade.

ANDRÉIA LAGO, Agência Estado

31 de outubro de 2012 | 00h17

"Os riscos não valem a pena", alertou. Ele defendeu que Irã e Estados Unidos negociem diretamente. "A situação só pode ser resolvida com diálogo e negociação", afirmou. Para El Baradei, a única forma de garantir que armas nucleares nunca serão usadas, intencional ou acidentalmente, é eliminá-las.

Para o diplomata, envolvido diretamente na investigação sobre a existência de armas químicas no Iraque durante o governo de George W. Bush - que a AEIA negou que existissem antes mesmo da ação militar americana no país -, o governo do presidente iraniano Mohamed Ahmadinejad estava interessado em diálogo. "Acredito que ainda esteja, assim como (Barack) Obama (presidente dos EUA) tem interesse num acordo. Espero que após as eleições americanas as conversas sejam retomadas", afirmou, confirmando em seguida que sua premissa é de que Obama será reeleito na eleição do próximo dia 6 de novembro.

Líder da oposição ao regime de Hosni Mubarak, no poder por 40 anos no Egito, El Baradei participou das articulações políticas durante o levante popular que ocupou a Praça Tahir, no centro do Cairo, mas desistiu de concorrer ao governo após a queda do regime de Mubarak por discordar das regras definidas pela junta militar no comando. O diplomata disse que não pode afirmar que esteja feliz com o ritmo das reformas em seu país, mas observou que o Egito já avançou em comparação com o passado recente. "Não estou satisfeito, mas esse caminho de conquista da democracia nunca é regular, ele tem altos e baixos, é um trabalho em andamento", afirmou.

Ao falar sobre a violência na Síria e as tensões entre Israel e seus vizinhos no Oriente Médio, El Baradei criticou a atuação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). "Pouco tem sido feito para resolver os conflitos, não há sequer negociações de paz em curso", reclamou. O Conselho de Segurança, ressaltou, tem poder legal para fazer ambos os lados pararem com a matança na Síria. "A ONU precisa exercer seu papel." ( - andreia.lago@estadao.com)

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