El-Baradei vai à Coréia do Norte para debater pacto atômico

O chefe da agência nuclear da Organização das Nações Unidas partiu neste domingo, 11, para a Coréia do Norte a fim de negociar a volta de inspetores ao país comunista, seguindo o precário acordo entre seis países para desmantelar seu programa de bomba atômica.O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), Mohamed el-Baradei, disse que quer ver como colocar o acordo em prática e reaproximar a Coréia do Norte da agência após quatro anos da expulsão dos inspetores e do abandono do Tratado de Não-Proliferação."Eu gostaria (...) de discutir o formato geral de como implementar o novo acordo, que prevê que a agência monitore e verifique o congelamento da instalação nuclear de Yongbyon, incluindo a instalação de reprocessamento", afirmou El-Baradei a jornalistas antes de partir. O fechamento de Yongbyon até meados de abril é o centro do acordo de 13 de fevereiro.A Coréia do Norte anunciou em 2005 que tinha armas nucleares e em 2006 fez um teste com explosão de aparato nuclear, provocando sanções financeiras e de armas decretadas pela ONU.Diplomatas dizem que não há garantias de que El-Baradei, que irá a Pequim antes da visita a Pyongyang, entre 13 e 14 de março, finalizará detalhes das novas inspeções.Eles citaram a desconfiança e a imprevisibilidade de Pyongyang em relação a estrangeiros e a probabilidade de disputas com China, Rússia, Estados Unidos, Japão e Coréia do Sul sobre os procedimentos."É apenas a primeira abertura depois de anos sem contatos com um Estado cuja mentalidade ninguém pode realmente entender", disse o embaixador de um país em desenvolvimento na Aiea, que pediu anonimato."É possível, mas não é certo, que El-Baradei feche uma data para a volta dos inspetores", afirmou o enviado. "Se ele começar as negociações sobre as regras das inspeções e conseguir um compromisso de mais encontros para finalizar as coisas, isso será um progresso."O próprio El-Baradei parecia cauteloso ao partir, dizendo que era apenas o início de uma longa jornada. "Espero que possamos avançar, mas mais uma vez devo advertir que este é o primeiro passo de um longo processo - terá que ser um processo progressivo."

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