Eduardo Verdugo/ AP
Eduardo Verdugo/ AP

'El Chapo' é considerado culpado em julgamento nos EUA 

O chefão do tráfico mexicano responde por dez acusações e pode enfrentar a prisão perpétua

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2019 | 16h28

NOVA YORK - O júri do julgamento do narcotraficante mexicano Joaquín "El Chapo" Guzmán, que ocorre em Nova York, o declarou nesta terça-feira, 12, culpado por ocupar um posto de liderança no cartel de Sinaloa, o que abre a possibilidade de que ele seja condenado à prisão perpétua.  Sua sentença será anunciada no dia 25 de junho. 

O mais famoso chefe de cartel do mundo, Guzmán saiu de uma região rural pobre do México para comandar um império de drogas e acumular bilhões de dólares. Ele foi considerado culpado em todas as dez acusações contra ele, que incluem tráfico de drogas e de armas, associação ao crime organizado e lavagem de dinheiro. Sua sentença deve ser cumprida em uma prisão de segurança máxima nos Estados Unidos.

O júri de uma corte federal do Brooklyn deliberou por seis dias sobre seu veredicto após 11 semanas de julgamento. Ele foi considerado culpado de operar uma "empresa do crime" que lucrou bilhões de dólares transportando toneladas de cocaína, heroína, metanfetamina e maconha para cidades americanas, usando túneis secretos e pacotes escondidos em caminhões-tanque, vagões de trem e até em carros de passeio por mais de duas décadas, consolidando seu poder no México por meio de assassinatos e guerras com cartéis rivais.

Uma das maiores figuras da guerra das drogas mexicana, Guzmán, de 61 anos, foi extraditado para os EUA para julgamento em 2017 após ter sido preso no México no ano anterior. 

Ainda que outros nomes importantes de cartéis tenham sido extraditados no passado, Guzmán foi o primeiro a ir  a julgamento em vez de se declarar culpado e obter um acordo. 

O julgamento, que contou com o testemunho de mais de 50 pessoas, ofereceu ao público um olhar sem precedentes de como opera internamente o Cartel de Sinaloa, que leva o nome do Estado no norte do México onde Guzmán nasceu em um pobre vilarejo nas montanhas.

Entre as testemunhas havia ex-aliados de El Chapo no cartel de Sinaloa, um especialista em criptografia e um fornecedor de cocaína colombiano. Uma delas contou como o narcotraficante puniu um homem que havia trabalhado para outro cartel, ao sequestrá-lo, espancá-lo e enterrá-lo vivo.       

Além disso, outra testemunha afirmou que El Chapo pagara propina de US$ 100 milhões para o então presidente do México, Enrique Peña Nieto, que nega a acusação.

A história de Guzmán ganhou ainda mais notoriedade com as duas fugas espetaculares que empreendeu das prisões mexicanas.Em uma delas, em que escapou da penitenciária de Altiplano 1, ele usou um túnel de 1,5 quilômetro para escapar. El Chapo chegou a ser considerado o segundo homem mais procurado do mundo, atrás apenas de Osama bin Laden.       

Para extraditá-lo, o México recebeu garantias de que o narcotraficante não seria condenado à morte.  / REUTERS e Ansa

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.