Henry Romero / Reuters
Henry Romero / Reuters

‘El Chapo’ quer negociar série sobre sua vida com Netflix e Univisión

Representante legal do traficante mexicano disse que se não houver autorização dele para produção, ele processará as empresas em tribunais americanos

O Estado de S. Paulo

27 Maio 2016 | 15h14

CIDADE DO MÉXICO - O traficante mexicano Joaquín "El Chapo" Guzmán, prestes a ser extraditado aos EUA, está disposto a negociar com o serviço de vídeo por streaming Netflix e a rede americana em espanhol Univisión uma série sobre sua vida, informou na quinta-feira um de seus advogados.

Segundo o representante legal, se Guzmán não der sua autorização, ele poderá processar as empresas em tribunais americanos.

"O senhor (Guzmán) não morreu, não é um personagem de domínio público, ele está vivo, ele tem que autorizar (...). Poderíamos processá-los porque não têm autorização para uma série ou um filme", declarou à Rádio Formula Andrés Granados, um dos advogados do traficante.

Na terça-feira, o canal Univisión transmitiu no Youtube o trailer da série, mas com poucas pistas sobre a trama: apenas uma animação em preto e branco, com toques em vermelho, que evolui do líder da Revolução Mexicana, Emiliano Zapata, ao rosto pintado de sangue de Guzmán.

"Ele (Guzmán) já nos disse que se eles já têm o projeto, para não perdê-lo e não nos desgastarmos a princípio com uma ação, podemos negociar com eles, mas até agora não se aproximaram, (podemos) negociar um preço para dar-lhes autorização, caso usem seu nome", acrescentou o advogado.

Na negociação também seria revisto o conteúdo da série, pois poderia afetar a defesa do poderoso narcotraficante, que tem 25 dias para apelar do aval da chancelaria para a extradição de Guzmán aos EUA, depois que dois juízes emitiram uma opinião favorável ao tratado de extradição entre os países vizinhos.

Guzmán "é extraditável e aí podem tirar algo sobre a sua vida que, na verdade, pode afetá-lo em assuntos legais, na defesa", acrescentou Granados.

Ele é demandado por um tribunal do Texas por homicídios, narcotráfico, crime organizado, porte de armas e lavagem de dinheiro, enquanto na Califórnia é acusado de importar e distribuir cocaína.

Por anos, foi o narcotraficante mais procurado do mundo. Em 1994, foi capturado na Guatemala e entregue à Justiça mexicana, mas em janeiro de 2001, fugiu de uma prisão de segurança máxima.

Em 2014, foi recapturado, mas em julho voltou a protagonizar uma fuga espetacular de outra prisão, através de um túnel quilométrico.

Em janeiro, voltou para a prisão e o governo mexicano, que inicialmente resistia a extraditá-lo, anunciou sua intenção de entregá-lo à Justiça americana. /AFP

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