EFE/How Hwee Young
EFE/How Hwee Young

El Salvador rompe relações diplomáticas com Taiwan e se alia à China

Medida isola governo autônomo e amplia influência de Pequim na América Central; oposição teme represália dos Estados Unidos, principal aliado comercial do país

O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2018 | 01h51
Atualizado 21 Agosto 2018 | 03h41

TAIPEI, Taiwan - O presidente de El Salvador, Salvador Sánchez Cerén, anunciou na noite desta segunda-feira, 20, que rompeu as relações diplomáticas com o governo autônomo de Taiwan e estabelecerá elos com a China. A medida amplia a influência de Pequim na região e reduz para 17 o número de países que reconhecem a ilha como uma nação soberana.

"Anuncio que meu governo tomou a decisão de romper as relações diplomáticas mantidas entre El Salvador e Taiwan e restabelecer as relações com a República Popular da China a partir de hoje", declarou Céren, em pronunciamento. 

O presidente alega que sua decisão foi baseada na declaração da Assembleia Geral das Nações Unidas que reconhece "uma única China", rejeitando a soberania de Taiwan.

O governo autônomo havia anunciado o fim das relações diplomáticas entre os dois países horas antes, após ter conhecimento do estabelecimento de vínculos entre a China e El Salvador. O Ministro de Relações Exteriores de Taiwan, Joseph Wu, lamentou o que chamou de "ações brutais" da China no cerceamento ao apoio internacional à ilha.

"Eu quero enfatizar que a supressão chinesa contra Taiwan nunca parou. Nós somos um país democrático e livre e isso é um fato que um regime autoritário não pode tolerar", disse. "Nós, em Taiwan, continuaremos a seguir em frente".

O ministro acusou o governo chinês de "comprar apoio diplomático" ao oferecer recursos financeiros e acordos comerciais a países que mantém vínculos com Taiwan.

A ruptura também amplia a influência de Pequim na América Central, despertando o temor de represálias americanas contra El Salvador. Segundo parlamentares de direita na Assembleia Legislativa, que formam oposição ao governo Cerén, o fim das relações diplomáticas com Taiwan e o estabelecimento de elos com a China poderá levar a "repercussões econômicas" envolvendo os Estados Unidos, principal aliado comercial do país.

"El Salvador segue isolado na comunidade de nações democráticas. Na Organização dos Estados Americanos (OEA) deu respaldo ao (presidente da Venezuela, Nicolás) Maduro e ao (presidente da Nicarágua, Daniel) Ortega e defendeu a tirania cubana", afirmou Norman Quijano, líder do Congresso e da oposição.

Em nota divulgada nas redes sociais, a embaixadora dos Estados Unidos em El Salvador, Jean Manes afirmou que o rompimento de relações com Taiwan é "preocupante" e que o governo americano irá analisar a decisão tomada por Cerén. Em julho, a diplomata alertou Washington sobre a "alarmante estratégia de expansão" econômica e militar da China na América Central e Latina.

"Os Estados Unidos estão analisando a decisão de El Salvador. É preocupante por muitas razões, entre elas a que se propôr a romper uma relação de mais de 80 anos com Taiwan", disse Jean. "Sem dúvida, isso impactará a nossa relação com o governo salvadorenho."

A decisão de El Salvador isola Taiwan ainda mais no cenário internacional. Neste ano, Burkina Faso e Republica Dominicana também cortaram relações diplomáticas com o governo autônomo. Atualmente, apenas 17 países apoiam a ilha e reconhecem sua soberania perante à China. //ASSOCIATED PRESS, AFP, EFE

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