REUTERS/Jonathan Ernst
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'Ela é dura com o terrorismo', diz Trump, ao defender nomeada para dirigir a CIA

Indicação de Gina Haspel ao cargo é vista com maus olhos por democratas, que a criticam por ter dirigido base secreta de tortura na Tailândia; se for confirmada em audiência marcada para quarta-feira no Congresso, se tornará a primeira mulher a comandar a agência

O Estado de S.Paulo

07 Maio 2018 | 11h59

WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, defendeu, nesta segunda-feira, 7, sua indicada para dirigir a Agência Central de Inteligência (CIA), Gina Haspel, descartando o debate sobre seu envolvimento com programa de interrogatórios envolvendo tortura. Segundo ele, membros do Partido Democrata não a querem no cargo por ela ser "dura demais com o terrorismo". Trump fez as declarações pelo Twitter, onde apoiou sua indicada. "Nestes tempos muito perigosos, temos a pessoa mais qualificada", escreveu.

Segundo funcionários de alto escalão do governo, Gina chegou a oferecer a retirada de sua nomeação na sexta-feira, 4, em meio às preocupações de que o programa de interrogatórios do qual ela fez parte poderia prejudicar sua reputação e a reputação da CIA. Na sexta-feira, assessores da Casa Branca pediram detalhes sobre seu envolvimento com o extinto programa de detenção e interrogação brutal dos suspeitos pelo ataque terrorista de 11 de setembro. Diante do pedido, ela ofereceu sua retirada. 

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A audiência de confirmação de Gina ao cargo está marcada para a quarta-feira. De acordo com assessores da presidência, ela recebeu a confirmação da Casa Branca de que sua nomeação ainda está valendo e não será retirada do Congresso.

Gina, caso seja confirmada, será a primeira mulher a dirigir a CIA. Durante sua carreira, serviu majoritariamente sob disfarce e grande parte dos registros de suas atividades são confidenciais. De acordo com os democratas, ela não deveria ser confirmada para o cargo porque foi chefe numa base de detenção secreta na Tailândia, onde dois suspeitos de terrorismo foram submetidos a simulação de afogamento, técnica que é considerada uma forma de tortura.

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Ela disse a legisladores nas última semanas que se manterá firme contra qualquer esforço para reiniciar o programa de detenções e interrogatórios, segundo informaram funcionários do governo. Fontes também afirmaram que ela estava receosa de ter o mesmo destino que Ronny Jackson, que era candidato a dirigir a agência de assuntos dos veteranos de guerra e retirou sua nomeação após o escrutínio no congresso.

Gina assumiu como diretora interina da agência no mês passado depois que Mike Pompeo foi empossado como secretário de Estado. / AP

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