Ela se diz ótima empresária. Mesmo assim foi condenada

Hoje ela vestiu-se de preto, a cabeça envolta num lenço vermelho ? em setembro, esteve sempre de branco. Foi como uma dama elegante que Margaret MacDonald, uma inglesa que, por coincidência hoje completava 44 anos, ouviu o juiz francês condena-la a quatro anos de prisão e uma multa de ?150.000 (R$ 517.000,00).Margaret, uma mulher bem-educada, fluente em francês, italiano, espanhol e grego e com algum domínio de árabe e japonês, com curso universitário de administração em universidades francesas e inglesas, foi presa por agenciamento de mulheres ? ela dirige uma ?empresa? com 500 moças e cerca de 50 rapazes, segundo números da promotoria, espalhados entre Europa, Israel e Estados Unidos, que trabalham como escorts. Embora tenha assumido apenas 20 ?empregadas?, Margaret se descreve como ?excelente empresária?, que administra um serviço legal de acompanhantes. Assegura que jamais forçou seu pessoal a fazer sexo. Isso não significa, conforme admitiu, que eles não o fizessem nunca.?Quando as pessoas se gostam?, explicou simplesmente, ?não vão querer ficar só no jantar.?Segundo os investigadores que a prenderem, Margaret tinha uma porcentagem bruta de 40% dos ganhos dos escorts e cobrava dos clientes ?1.000 (R$ 3.450,00) a hora. A polícia seguiu-a por Paris, Atenas e Milão, cidades pelas quais dividia seu tempo, e afirma que ela ganha cerca de ?20.000 (R$ 69.000,00) por mês.A inglesa foi presa em maio, num hotel perto de Champs Elysées, e ficou detida durante o julgamento, que terminou hoje. Seu advogado hoje mostrava-se indignado com o tratamento que lhe dispensaram:?Apenas aqueles que arranjam encontros são presos. Isso é hipocrisia?, disse Emmanuel Marsigny. ?As meninas continuam trabalhando? enquanto Margaret ?vai pagar por todo mundo.??Acho isso escandaloso?, emendou Axelle Guerin, uma amiga da ré, que se descreve como alguém que já ?trabalhou? para MacDonald. Para ela, também, o veredicto foi uma hipocrisia porque as prostitutas continuam soltas, fazendo a vida em Paris.O tribunal condenou outras três pessoas no caso. Laura Scheich, uma alemã de 23 anos, que voltou para seu país, foi sentenciada in absentia a três anos de prisão e multa de ? 100.000 (R$ 345.000,00). Ela era uma ex-empregada de Margaret que começou seu próprio serviço de escort.Pierre Braun, 69 anos, e Danielle Berthy, 53, que mantêm um hotel usado pelas moças para encontros, receberam um multa de ?60.000 (R$ 207.000,00) e ?20.000 (R$ 69.000,00), respectivamente.

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