ElBaradei define termos para concorrer à presidência do Egito

O ex-chefe da agência de energia nuclear Mohamed ElBaradei, indicado como provável candidato à presidência do Egito pela oposição, disse que uma decisão sobre sua entrada na corrida em 2011 depende de garantias de que as eleições serão justas.

YASMINE SALEH, REUTERS

06 de dezembro de 2009 | 17h41

ElBaradei também apresentou uma série de condições para começar a campanha, inclusive a exigência de uma nova constituição que respeite melhor os direitos humanos e coloque limites ao poder do presidente.

Algumas pessoas na oposição egípcia, com esperanças de impedir o presidente Hosni Mubarak de passar o poder a seu filho que também é político, pediram a ElBaradei que dispute as eleições. Eles têm esperanças de alavancar a reputação dele como chefe da Agência Nuclear de Energia Atômica (AIEA).

"Tenho ouvido com muita atenção as opiniões e vozes que me chamam a disputar as eleições presidenciais egípcias", disse ElBaradei em comunicado.

"Eu gostaria de explicar que minha posição será decidida dependendo de certas questões básicas."

Ele disse que quer supervisão jurídica do voto, monitoramento das Nações Unidas e cobertura equivalente para todos os candidatos na mídia estatal.

"Isso enviará uma mensagem clara ao mundo de que há de verdade reforma e mudanças no Egito", disse ele, acrescentando que deseja um acordo nacional em favor de sua candidatura antes de decidir.

De acordo com as regras eleitorais egípcias, ElBaradei teria de ter uma posição de liderança num partido com representação parlamentar para poder ser candidato.

A mídia egípcia tem especulado que partidos de oposição podem estar cortejando ElBaradei, com esperanças de que ele possa entrar na liderança de uma das legendas a tempo de concorrer à eleição.

ElBaradei, 67, deixou de ser chefe da AIEA em novembro depois de 12 anos no posto. Ele e a AIEA ganharam juntos o prêmio Nobel da Paz em 2005.

No mês passado, ElBaradei recusou-se a descartar uma candidatura presidencial e disse à CNN que "nunca se deve dizer nunca", mas ele acrescentou que queria garantias de que a eleição seria conduzida de forma apropriada.

O filho de Mubarak, Gamal, tem uma posição importante no Partido Democrático Nacional e é visto por analistas como o mais provável vencedor das eleições egípcias agora que seu pai, de 81 anos, está saindo do poder. Contudo, pai e filho têm negado esses planos.

Mubarak, que não deu sinais de que planeja sair do poder antes de terminar seu mandato em 2011, teria 89 anos ao fim de outro mandato se continuasse a ser presidente.

O político de oposição Ayman Nour, o principal oponente a Mubarak no Egito na primeira corrida presidencial do país que incluirá vários candidatos, disse que está decepcionado com o comunicado de ElBaradei, porque ele está pedindo reformas pouco realistas antes das eleições.

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