Ronald Zak/AP
Ronald Zak/AP

ElBaradei diz que é hora de Mubarak deixar o poder no Egito

Opositor ex-chefe da AIEA e Nobel da Paz se diz pronto para comandar o país durante transição

Associated Press e Reuters

27 de janeiro de 2011 | 12h31

Atualizado às 16h26

 

CAIRO - Mohamed ElBaradei, um dos mais importantes opositores do presidente Hosni Mubarak no Egito, voltou ao país, se disse pronto para liderar a transição da nação e afirmou que já é hora de o atual líder egípcio deixar o cargo, que ocupa há 30 anos.

 

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ElBaradei chegou na noite desta quinta-feira, 27, no Egito, dia em que, pela terceira vez consecutiva, os opositores e jovens foram às ruas protestar contra o governo de Mubarak. Novamente as forças de segurança e os manifestantes entraram em confronto no Cairo e em outras cidades importantes.

 

Recebido por amigos e pela família, ElBaradei disse ter retornado porque "o país vive um momento crítico" e porque ele quer participar dos protestos. "A mudança é inevitável", concluiu. A Irmandade Muçulmana, o principal bloco opositor do país, também anunciou seu apoio às manifestações.

 

'Hora de sair'

 

Antes de partir de Viena em direção ao seu país, o egípcio deixou claro que deseja a renúncia do presidente Mubarak. "Ele já serviu o país durante 30 anos. É hora de se retirar", disse o ex-chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), também laureado com o prêmio Nobel da Paz. "Amanhã (sexta-feira) haverá, acredito, a maior manifestação do Egito e estarei lá com eles", concluiu.

 

ElBaradei ainda afirmou que está pronto para "liderar a transição" no Egito, caso essa tarefa lhe seja solicitada. "Se as pessoas, particularmente as pessoas jovens, quiserem que eu lidere a transição eu não as decepcionarei", afirmou a jornalistas, em um aeroporto de Viena. "Minha prioridade no momento é ver um novo Egito e ver um novo Egito através de uma transição pacífica", concluiu.

 

O anúncio da volta de ElBaradei ao país foi feito por seu irmão Ali ElBaradei. O retorno ocorre em meio aos maiores protestos contra o governo local em três décadas.

 

Em uma mensagem postada na rede de microblogs Twitter, o ex-chefe da AIEA disse que apoiava o prosseguimento das manifestações contra Mubarak, há 30 anos no poder. "Nós devemos continuar a exercitar nosso direito à manifestação pacífica e a restaurar nossa liberdade e dignidade. A violência do regime irá se voltar contra ele duramente", disse.

 

Os protestos contra Mubarak irromperam na terça-feira e foram os maiores do país em mais de quatro décadas. Seis pessoas morreram nos enfrentamentos entre os manifestantes e as forças de segurança, que disseram ter detido mais de mil pessoas. O país realiza eleições presidenciais neste ano, mas Mubarak não anunciou se concorrerá ao cargo por mais seis anos.

 

Os distúrbios, batizados de "Dia da Fúria" por alguns ativistas na internet, foram inspirados na "Revolução do Jasmim", que derrubou o presidente da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, há duas semanas. No Iêmen também foram registradas manifestações nesta quinta.

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