ElBaradei diz que não está claro quem está no comando do Egito

Relações entre Mubarak, Suleiman e Forças Armadas são 'pouco transparentes'

AE, Agência Estado

11 de fevereiro de 2011 | 10h06

 

   

VIENA - O opositor egípcio Mohamed ElBaradei disse, em entrevista publicada nesta sexta-feira,11, que não está claro quem está no comando do país. Ex-chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ele pediu que o Exército apoie a transição para a democracia no Egito. "Quem está realmente no poder neste momento eu não posso dizer. Eu não posso dizer quais relações há entre Mubarak, o vice-presidente Suleiman e os vários braços do Exército. É muito pouco transparente", afirmou ElBaradei, que já ganhou o Nobel da Paz.

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Ele deu a entrevista ao jornal austríaco Die Presse pouco antes de o presidente Hosni Mubarak anunciar, em discurso na noite de ontem, que iria delegar parte de seu poder ao vice-presidente, Omar Suleiman. Mubarak afirmou, porém, que pretende ficar no cargo até setembro, quando ocorrem eleições no país. ElBaradei disse que a transferência de poder para Suleiman, ex-chefe do serviço de espionagem egípcio, não satisfará os manifestantes.

O líder oposicionista quer que o regime entregue o poder a um conselho executivo de três membros e a um governo de união nacional, formado por tecnocratas e não por políticos. Segundo ele, o novo governo deve ter um ano para realizar uma nova Constituição, temporária, e preparar eleições livres. O dissidente não quis dizer se pode concorrer à presidência.

Deserção

Três membros do Exército egípcio entregaram suas armas e uniformes hoje a fim de se unir aos milhares de manifestantes para pedir o fim do governo de Mubarak, disseram testemunhas. "Eles se uniram à multidão, sorrindo, e cantaram slogans pedindo a queda do regime", afirmou o estudante Omar Gamal à France Presse, na Praça Tahrir, no Cairo, epicentro dos protestos.

Um repórter da France Presse viu um soldado falando à multidão aos gritos. Os manifestantes passaram a manhã cantando para o Exército se unir aos oposicionistas do regime. As manifestações pelo Egito começaram em 25 de janeiro, deixando 300 mortos e muitos feridos e presos.

 

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