'Ele deve apostar no Mercosul, mas diversificar parceiros'

Entrevista com Antonio Cardarello, doutor em Ciência Política e professor da Universidade da República

O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2014 | 02h02

O que muda no Uruguai antes de março? Algum plano com que Tabaré Vázquez não concorde totalmente, como a lei que regula a maconha, pode ser apressado?

Não acredito que Tabaré recue na regulamentação da maconha agora. Não vai contrariar sua bancada no início do período.

Há uma certa dívida do eleito com o presidente José Mujica, que ficou mais ativo na campanha quando as pesquisas não davam uma vitória tão clara?

Mujica certamente teve um papel importante. Não só ele, mas também muitos ministros começaram a defender o que o governo tinha feito. Não posso dizer que isso definiu a eleição, mas certamente reforçou o caminho para a vitória de Tabaré.

Qual será a 1ª medida dele?

Segurança e educação foram os temas centrais da campanha e ele deve atacá-los. O objetivo é aumentar o orçamento da educação para 6% do PIB, e o de ciência e tecnologia para 1%.

Em política externa, qual deve ser a tendência de Tabaré?

Deve seguir apostando no Mercosul e manterá o Brasil como principal sócio. Mas ele deve diversificar os mercados e os acordos bilaterais dentro e fora da região.

O primeiro mandato de Tabaré ficou marcado pela garantia de um computador para cada estudante. Qual o plano para esta área, na qual Mujica é criticado?

Ele propõe um computador por estudante no ensino médio, melhorar a conectividade à internet e, principalmente, torná-la mais barata. Outra meta ousada é integrar todos os uruguaios da terceira idade.

Depois dessa alternância entre Tabaré e Mujica, quem pode ser o nome da esquerda em 2019?

As possibilidades da Frente Ampla em 2019 dependerão da economia e da gestão do governo de Tabaré, mas também da capacidade de renovação que o bloco demonstre. Os líderes históricos já não estarão disponíveis.

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