Elegância na volta de Cuba aos EUA

Cuba acelera os preparativos para a abertura de sua embaixada em Washington, em um elegante edifício construído há quase um século, que resistiu durante décadas a intrigas políticas e dificuldades econômicas.

O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2015 | 02h02

Os três andares da mansão de estilo francês, erguida em 1917, a cerca de três quilômetros da Casa Branca, passaram despercebidos durante anos para muitas pessoas na histórica 16th Street, dada a ausência de bandeiras ou símbolos oficiais que ligassem Cuba ao edifício. Só os mais curiosos reparavam no cartaz pregado no muro, que identifica o imóvel como o Escritório de Interesses de Cuba.

Nas últimas semanas, o local atraiu mais olhares enquanto passava por reformas para se transformar em embaixada, com uma entrada recém-pavimentada, um muro com tinta fresca, um novo jardim e um mastro instalado há menos de um mês, onde será hasteada a bandeira de Cuba no dia 20.

Comparada com o imóvel cinza de sete andares que se transformará na Embaixada dos EUA em Havana, também no dia 20, a futura missão cubana ficará em um edifício pequeno, embora sua elegante fachada dê ao prédio o ar imponente das grandes mansões de Washington.

Quem já entrou no histórico edifício se encanta com a enorme escada de mármore do hall, que abre caminho para dois andares coroados por uma enorme cúpula de cristal com vitrais. No primeiro andar está o bar Ernest Hemingway, batizado em homenagem ao célebre escritor americano que viveu em Cuba, e recebe somente convidados seletos.

A mansão começou a ser construída em 1916, quando o governo cubano contratou a firma local MacNeil & MacNeil para projetar sua representação nos EUA, que tinha um status inferior ao de embaixada, na época em que o chefe da missão tinha categoria de ministro e não de embaixador. Um ano depois, a diplomacia cubana instalou-se na mansão de estilo neoclássico.

Em 1923, o edifício foi elevado à categoria de embaixada e, desde então, acolheu vários presidentes cubanos em visitas aos Estados Unidos, incluindo Fidel Castro, em abril de 1959.

A embaixada fechou suas portas em janeiro de 1961, após a ruptura de relações diplomáticas. Em 1977, EUA e Cuba chegaram a um acordo para abrir seções de interesses, que lhes dariam presença diplomática limitada nas respectivas capitais, e o governo cubano reabriu a mansão na 16th Street.

Após 54 anos de portas fechadas em Washington, os diplomatas cubanos nos EUA prepararam agora a bandeira que marcará sua reabertura: com 3 metros de tecido, das mesmas cores da bandeira americana, que será hasteada no mesmo dia em Havana. / EFE

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