''Elegeremos o presidente da Venezuela''

María Corina Machado, deputada oposicionista mais votada na Assembleia Nacional venezuelana

Guilherme Russo, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2011 | 00h00

A oposição ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, articula-se para indicar um candidato único para enfrentar o líder no poder há quase 12 anos nas eleições presidenciais marcadas para o fim de 2012. Entre os nomes mais cotados para enfrentar Chávez, está o da deputada oposicionista María Corina Machado, parlamentar mais votada para a Assembleia Nacional venezuelana no ano passado. Em entrevista ao Estado, ela afirmou não ter dúvidas de que o próximo presidente venezuelano sairá da convenção da Mesa da Unidade Democrática, em fevereiro. Apesar do discurso e da postura de candidata, María Corina desconversa ao ser questionada sobre suas intenções quanto à presidência.

Dado o histórico de lutas internas da oposição venezuelana, haverá alguma resistência à indicação para uma candidatura única da oposição à presidência?

Existem muitos mitos associados à unidade democrática da Venezuela. Um deles diz que a oposição é inorgânica, desunida e fragmentada. Sem dúvida, houve momentos de muita tensão, pois existem muitos pontos de vista. Mas lições foram aprendidas e a evidência mais próxima são as eleições parlamentares de 2010, quando conseguimos a maioria no voto popular. Por isso tomou-se a decisão para que as primárias sejam realizadas em 12 de fevereiro de 2012, para a escolha de candidatos a presidente, governador e prefeito. Daí vão surgir candidatos que têm o apoio total da (Mesa da) Unidade Democrática da Venezuela. Que não reste nenhuma dúvida: no 12 de fevereiro estaremos elegendo o próximo presidente da Venezuela.

Você quer ser esse candidato?

Tomei a decisão de dedicar minha vida a servir ao meu país e transformá-lo numa sociedade realmente inclusiva, próspera, justa e livre. E quero estar na posição onde possa ser mais útil a meu país. Na Venezuela surgiram líderes com visão de futuro, que emergiram como produto de muitos anos de luta, por nossos direitos e pelos direitos de todos os venezuelanos. São 12 anos de luta. Essa nova geração política, que vem de todos os setores, vai transformar a Venezuela. As eleições de 2012 não tratam apenas de uma mudança de governo, mas de reconstruir uma sociedade.

Você sofreu ou sofre algum tipo de perseguição política ou assédio do governo Chávez?

Todos os que discordam com firmeza das políticas e mensagens do presidente e de seu governo são desqualificados e ofendidos na Venezuela. No meu caso, cheguei a ter vários processos abertos por crimes absurdos e fiquei proibida de sair do país por três anos. Mas a mágoa maior é quando difamam nossa moral.

A oposição a Chávez demorou para unificar-se? Por quê?

Sim, mas temos de entender que regimes híbridos, que aparentam uma democracia, mas escondem um sistema totalitário, causam uma grande confusão na sociedade democrática e na cidadania em geral, no sentido de como enfrentar o regime

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