Eleição afegã deve ter 2º turno, indica pesquisa

Karzai é o favorito, mas não deve obter os votos suficientes para ser reeleito na quinta-feira; para eleitores, aliança de opositores é boa opção

Lourival Sant?Anna, O Estadao de S.Paulo

15 de agosto de 2009 | 00h00

Pesquisa de intenção de voto divulgada ontem confirma a liderança do presidente Hamid Karzai na eleição presidencial de quinta-feira. Realizada entre os dias 16 e 26 de julho, a sondagem também confirma a perspectiva de segundo turno, seis semanas depois do primeiro. A campanha presidencial provocou uma escalada sem precedentes no conflito com os taleban, que prometeram sabotar as eleições. Um segundo turno deve estender por mais tempo o recrudescimento do conflito.Segundo a pesquisa do Instituto Republicano Internacional, uma organização americana apartidária que monitora o processo eleitoral no Afeganistão, 44% dos eleitores pretendem votar em Karzai; 26%, no ex-chanceler Abdullah Abdullah; 10% em Ramazan Bashardost, ex-ministro do Planejamento e deputado; o ex-ministro das Finanças Ashrafi Ghani, que noutras pesquisas aparece em terceiro lugar, vem em quarto, com 6%. Num dado que pode parecer preocupante para Karzai num segundo turno, 58% dos entrevistados disseram que uma aliança entre Abdullah e Ghani seria "uma boa opção para o Afeganistão". A pesquisa indica também que 81% têm uma "opinião favorável sobre as qualidades de liderança" de Karzai e 71%, de Abdullah, que lutou ao lado do general tajique Ahmed Shah Massud (morto em atentado em 2001) contra os taleban, na Aliança do Norte. Bahardost, de etnia hazara (minoria de origem mongol), obteve 60% nesse quesito e Ghani, doutor em antropologia pela Universidade de Columbia, 60%. Numa demonstração de força, o deputado Mohammed Almas, que também foi general no exército de Massud, reuniu ontem cerca de 4 mil líderes tribais das províncias de Cabul, Parwan e Kapisa (as duas últimas a noroeste da capital afegã) para manifestar apoio a Karzai. O evento ocorreu num local de forte simbolismo: a imensa tenda na qual foi realizada, em dezembro de 2001, a loya jirga (assembleia de anciãos) que confirmou Karzai - então o preferido dos EUA - chefe do governo de transição, até as eleições de outubro de 2004, quando ele foi eleito presidente. Na sua primeira eleição, Karzai teve 55,4% dos votos.Karzai, que fez campanha ontem em Herat (oeste), foi representado no encontro pelo candidato a vice em sua chapa, o marechal Mohammed Qassim Fahim, ministro da Defesa no período da transição, que também lutou ao lado de Massud. "Muitos têm criticado a corrupção e outros problemas similares", disse em seu discurso o deputado Abdul Sattar Khawasi. "Claro que este governo teve muitos problemas nesses sete anos, mas temos de compará-lo com os 200 anos de história do Afeganistão", argumentou, lembrando que, antes de Karzai assumir, os afegãos, para fazer uma ligação internacional, tinham de ir até o Paquistão.Os taleban ameaçam perturbar o dia da votação com 200 atentados suicidas. Nos últimos dias, o movimento atacou edifícios governamentais e um comboio do ex-presidente Burhanuddin Rabbani. Uma bomba caseira matou na quinta-feira três militares das forças internacionais. Segundo a Comissão Eleitoral Independente, a votação não será realizada em 9 dos 365 distritos, onde o Taleban exerce mais influência.Ahmed Wali Karzai, irmão do presidente afegão, disse que líderes comunitários negociam com os taleban uma trégua para a realização da votação. Mas Ahmed negou que ele tenha chegado a um acordo com os taleban, conforme noticiara o jornal inglês The Guardian.

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