Eleição afegã tem ataques, fraude e baixa participação

Cumprindo ameaças, Taleban lança atentados que matam ao menos 14 pessoas; menos de 40% do eleitores votam

REUTERS, FRANCE PRESSE e AP, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2010 | 00h00

Poucos eleitores afegãos desafiaram as ameaças do Taleban para votar nas eleições parlamentares de ontem, marcadas por denúncias de fraude e ataques que deixaram ao menos 14 mortos e 58 feridos. A Comissão Eleitoral informou, após o fechamento das urnas, que 40% dos 11,4 milhões de eleitores votaram.

Em comunicado, insurgentes assumiram ataques a 150 colégios, o correspondente a 2,5% do total dos locais de votações. Algumas sessões se mantiveram fechadas por estarem em áreas consideradas inseguras. Cerca de 2.500 candidatos concorreram às 249 cadeiras da Wolesi Jirga, a Câmara Baixa do Parlamento. Apesar das ameaças, 92% dos centros de votação funcionaram normalmente. Ontem houve denúncias de fraude. Algumas pessoas usaram documentos falsos e apagaram a tinta "indelével" do dedo para votar duas vezes.

Após matar três candidatos, na quinta-feira o Taleban defendeu o boicote à eleição e prometeu ataques. Na sexta-feira, os taleban sequestraram 19 pessoas - um candidato às eleições legislativas, dez partidários de outro candidato e oito funcionários da comissão eleitoral, o que colocou as forças de segurança em alerta máximo.

Ontem, os militantes do grupo radical islâmico, deposto em 2001, após a invasão liderada pelos EUA, dispararam uma série de foguetes, tentando afetar a votação. Ao menos três civis morreram nos ataques e o governador da Província de Kandahar - reduto do Taleban -, Toryalai Wisa, escapou de um atentado a bomba contra seu automóvel quando visitava centros de votação.

No pior dos ataques, os taleban mataram um soldado afegão e seis milicianos pró-governo em um posto de segurança perto de um centro de votação na Província de Baghlan, norte do país.

Durante a madrugada, um foguete foi disparado contra o comando da Organização do Atlântico Norte (Otan) em Cabul, horas antes da abertura das urnas. O ataque não causou vítimas.

Esta foi a primeira eleição desde a votação presidencial de outubro, marcada por acusações de fraude que minaram o apoio internacional ao presidente Hamid Karzai. Os civis são as principais vítimas do conflito no Afeganistão. As forças internacionais já registraram mais de 500 mortos desde janeiro - em todo o ano passado ocorreram 521 mortes. O panorama da violência no Afeganistão não mudou, apesar do envio nos últimos meses de 30 mil soldados adicionais pelo governo americano. No total, 400 mil soldados afegãos e das forças internacionais foram responsáveis pela segurança.

Os resultados definitivos das eleições parlamentares devem ser divulgados apenas no dia 31 de outubro.

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