Eleição anima comércio popular nas ruas de Quito Correa arrasa nas urnas e é reeleito com 61,5% no Equador, indica pesquisa

Os moradores da capital equatoriana compareciam às urnas em bom número desde o começo da manhã. A alta movimentação animou a ação de ambulantes, que vendiam de comida a plastificação de documentos eleitorais nas ruas do centro de Quito.

QUITO, LUIZ RAATZ , ENVIADO ESPECIAL / QUITO, QUITO, LUIZ RAATZ , ENVIADO ESPECIAL / QUITO, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2013 | 02h05

A auxiliar de escritório Karina Chango fazia um bico como vendedora de frutas nos arredores da Praça Santo Domingo, com a expectativa de acrescentar US$ 100 com a venda de saladas de frutas em copinho, a US$ 1 cada, durante a jornada eleitoral, a seu salário mensal de US$ 400.

"Não posso fazer muito, porque as frutas estragam. Espero que o movimento aumente no final da tarde", disse a vendedora ao Estado.

Estudantes de um colégio dominicano da praça preferiram oferecer um serviço de plastificação do comprovante de votação por US$ 0,25. Eles esperavam arrecadar dinheiro para a pastoral de jovens da escola.

"Muitas vezes as pessoas precisam do comprovante para tirar documentos em outras instituições e podem perdê-lo", explicou um dos estudantes.

Seus concorrentes, na rua debaixo do colégio, sem vínculos religiosos, ofereciam um preço mais em conta: US$ 0,20. / L. R.

O presidente do Equador, Rafael Correa, foi reeleito ontem para seu terceiro mandato, indicam pesquisas de boca de urna do Instituto Cedatos Gallup divulgadas logo após o fechamento das urnas. Correa teve 61,5% da preferência eleitoral. Seu rival mais próximo, o banqueiro Guillermo Lasso, teve 20%. A margem de erro da pesquisa é de 3,5 pontos, para mais ou para menos. Números parecidos foram divulgados por outras empresas.

Os primeiros resultados oficiais seriam divulgados no fim da noite de ontem. O terceiro colocado, ainda de acordo com a boca de urna foi o ex-presidente Lúcio Gutierrez, com 6%. O magnata da banana Alvaro Noboa obteve 3,5% e o centrista Mauricio Rodas, 3,1%. Ex-aliado de Correa, Alberto Acosta ficou com 2,9%. Os nanicos Norman Wray e Nelson Zavala tiveram 1% cada.

Logo após a divulgação das pesquisas de boca de urna, Correa dirigiu-se à multidão que o esperava na frente do Palácio de Carondelet e agradeceu o público pela vitória. "Estamos aqui para servir vocês, não nós mesmos", discursou. "Recebemos com toda firmeza mais quatro anos de revolução. Obrigado a todos vocês."

Mais de 11 milhões de equatorianos foram às urnas para eleger o presidente. Correa votou em um colégio da zona norte de Quito e pediu transparência na votação. "Que hoje seja uma festa nacional e democrática", disse o presidente. "Respeitem o processo eleitoral para que essa seja a mais abrangente e transparente eleição da história do país."

Principal rival de Correa, o economista Guillermo Lasso, votou em Guayaquil, na costa equatoriana, acompanhado de sua família. Para levar a disputa para o segundo turno, ele precisaria ter menos de 10 pontos de desvantagem para Correa, desde que o presidente tivesse entre 40% e 50% dos votos. Cercado de militantes, que gritavam "Eu acredito", o candidato não deu declarações.

Nos pontos de votação da capital, Quito, a maioria dos eleitores já dava como certa a vitória de Correa no primeiro turno. "Nos meus 73 anos, Correa foi o único presidente que vi fazendo obras de infraestrutura no Equador", disse o aposentado Marco Suaznavas, que votou em um colégio do centro de Quito. "Muitas vezes ele errou, mas ninguém é perfeito."

O dia da eleição foi tranquilo. Sob um forte aparato de segurança, 11,6 milhões de equatorianos foram convocados às urnas. Cerca de 30 mil oficiais do Exército e 20 mil policiais fizeram a segurança da votação.

Denúncia. Logo pela manhã, o presidente do Conselho Nacional Eleitoral do Equador (CNE) , Domingo Paredes, denunciou uma suposta tentativa de invasão dos servidores do órgão. "São eventos que fazem parte de algo que já prevíamos: tentativas de sabotagem e de interferir no processo eleitoral para deslegitimar o resultado", disse Paredes, que no entanto, rechaçou qualquer possibilidade de fraude. "É impossível tecnicamente e fisicamente", garantiu.

Segundo o vice-presidente do CNE, Paul Salazar, foram 800 mil tentativas de invasão do sistema. O funcionário ressaltou no entanto que um "sistema de detecção de intrusos" bloqueou a tempo o hacker. Na Província de Santa Elena, um homem foi preso por tentar roubar cédulas de votação.

A missão da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), em um relatório parcial na tarde de ontem, no entanto, ressaltou que as eleições transcorriam normalmente. A Organização dos Estados Americanos (OEA) também monitora a eleição.

Além de Correa e Lasso, participam da eleição o ex-presidente Lúcio Gutierrez, o empresário do setor bananeiro Álvaro Noboa e o ex-aliado do presidente, Alberto Acosta. Com menor chance, vinham o pastor evangélico Zavala, o vereador Wray e o centrista Rodas.

Também foram escolhidos ontem os 137 deputados da Assembleia Nacional, onde o partido de Correa, hoje, detém maioria.

A farmacêutica Lis Amadelis tem ressalvas a Correa, principalmente a seu estilo autoritário e acordos comerciais com a China, mas diz que votará nele pela melhora econômica no país. "Ele fez muitas coisas pelo Equador. Em seis anos melhoramos muito", afirmou. "Não estou de acordo que fique depois de 2017, mas a oposição aqui é muito ruim. Não tem proposta."

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