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Eleição da maior central sindical racha sindicatos argentinos

CGT reelegerá oficialmente na quinta-feira o caminhoneiro Hugo Moyano como secretário-geral

Ariel Palacios, correspondente em Buenos Aires,

11 de julho de 2012 | 18h45

BUENOS AIRES - A Confederação Geral do Trabalho (CGT) reelegerá oficialmente amanhã o caminhoneiro Hugo Moyano para o posto de secretário-geral da maior central sindical da Argentina. No entanto, o ministro do Trabalho, Carlos Tomada, anunciou que o governo não reconhecerá a eleição do sindicalista, que foi o principal aliado na área social da presidente Cristina Kirchner e do ex-presidente Néstor Kirchner durante nove anos, até o racha entre ambos, há poucos meses. O governo destacou que a única CGT que reconhecerá será aquela composta pelos sindicatos que realizarão a eleição em outubro. Desta forma, torna-se oficial o racha dentro da maior central sindical do país.

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A presidente Cristina já emplacou um líder para a central sindical "oficial", o metalúrgico Antonio Caló, que nesta quarta-feira, 11, declarou alinhamento automático com a Casa Rosada: "não faço greves contra o governo. Faço greves contra empresários". Caló levaria consigo para a CGT kirchnerista um total de 80 sindicatos.

Um dos aliados de Moyano, o líder do sindicato de trabalhadores rurais e estivadores, Gerónimo Venegas - crítico do governo Kirchner há tempos - fez um alerta: "caso o governo não reconheça esta CGT (a "rebelde"), haverá greve geral". A CGT de Moyano conta com 100 sindicatos. O sindicato dos caminhoneiros é seu principal reduto, com o qual é capaz de mobilizar mais de 100 mil caminhões para bloquear as principais estradas do país.

Além destas duas CGTs existe outra, a "CGT Azul e Branca", comandada pelo sindicalista Luis Barrionuevo, que nos anos 90 ficou famoso com a frase "é preciso deixar de roubar uns dois anos para que a Argentina se recupere". Barrionuevo, que rachou com Moyano há dois anos, levando consigo parte dos sindicatos, é crítico da presidente Cristina, embora pragmático. Os analistas da área sindical afirmam que ele não hesitaria em respaldar o governo, caso seja conveniente.

Além destas três facções da CGT, o cenário sindical é composto pela Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), que após uma eleição embalada em denúncias de fraudes em 2010 rachou em uma ala kirchnerista e outra anti-kirchnerista. Desta forma, o panorama sindicalista argentino contará a partir de outubro com cinco centrais inimigas entre si. O único ponto em comum entre todas é que cada uma alega que é a representante dos ideais trabalhistas do presidente Juan Domingo Perón (1895-1974).

Tropa

Moyano, com seus caminhoneiros, foi considerado durante anos a "tropa de choque" do governo Kirchner, já que podia mobilizar rapidamente dezenas de milhares de pessoas para realizar manifestações de apoio a Cristina ou piquetes contra os inimigos da Casa Rosada (esse foi o caso dos jornais "Clarín" e "La Nación", cujas gráficas tiveram as portas bloqueadas por Moyano). Mas, desde o ano passado o poderoso caminhoneiro entrou em rota de colisão com o governo, já que pretendia mais espaço de poder dentro da Casa Rosada. Ele exigiu que as listas de deputados kirchneristas tivessem pelo menos 15 representantes sindicais. Mas Cristina só concedeu uma vaga, para seu próprio filho, Facundo Moyano.

Nos últimos meses Moyano também exigiu aumentos salariais superiores à inflação oficial e acusou a presidente de ter abandonado os "ideais peronistas". Cristina negou os aumentos, enfureceu-se com as acusações de Moyano. Na sequência, Moyano fez uma grande manifestação no centro portenho, junto com uma greve do setor de transporte, como demonstração de força.

O racha sindical e a passagem oficial de Moyano à oposição está preocupando o empresariado, que tem um aumento dos conflitos sociais e sindicais nos próximos meses. 

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