Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

Eleição dará à oposição 6 Estados na Venezuela, afirma pesquisa

São 4 a mais do que os adversários de Chávez têm hoje; para analistas, avanço é significativo

Ruth Costas, O Estadao de S.Paulo

12 de novembro de 2008 | 00h00

A oposição ao presidente venezuelano Hugo Chávez pode conquistar nas eleições regionais do dia 23 ao menos 6 dos 22 Estados do país segundo uma pesquisa do instituto Hinterlaces divulgada ontem pelo jornal El Universal, de Caracas. Seriam quatro Estados a mais do que os adversários de Chávez têm hoje. Em duas regiões a disputa está indefinida e nas restantes a vantagem é de candidatos pró-governo. Os seis Estados podem parecer pouco. Mas, apesar de os governistas estarem na frente em um número maior de Estados, segundo analistas, um resultado como esse poderia ser interpretado como um avanço da oposição por uma questão qualitativa. "A oposição está na frente em Estados como Zulia e Carabobo, cujo peso econômico e populacional é muito grande", explica o cientista político Omar Noria, da Universidade Simón Bolívar, em Caracas. Zulia, por exemplo, responde por 80% da produção de petróleo venezuelana. Carabobo é um grande pólo industrial e abriga o maior porto comercial do país. Juntos, só esses dois Estados respondem por cerca de 20% da população venezuelana. "Ao conquistar mais governos locais, a oposição ao menos estará conseguindo ampliar seu espaço no cenário democrático venezuelano, extremamente reduzido desde que ela boicotou as eleições legislativas de 2005", diz Noria. Os outros Estados em que os adversários de Chávez venceriam seriam Táchira, Sucre, Nueva Esparta e Guárico. Os indefinidos são Yaracuy e Barinas - que é governado pelo pai do presidente, Hugo de los Reyes Chávez. O motivo da indefinição nesse grande reduto do clã Chávez, explica a cientista política Francine Jácome, do Instituto Venezuelano de Estudos Sociais e Políticos, é um fenômeno que cresceu no último ano, depois que o presidente tentou aprovar em referendo uma Constituição centralizadora e que lhe permitiria ser reeleito indefinidamente: o surgimento de dissidências no chavismo. Em Barinas, Adán Chávez, irmão e candidato preferencial do presidente, disputa contra Júlio César Reyes, até pouco tempo seu aliado . "Há chances de que ocorra como em Sucre, onde o governador, Ramón Martínez, inicialmente era pró-governo, mas logo passou para a oposição", diz Francine. "Além disso, se Adán Chávez perdesse em Barinas, seria uma derrota simbólica importante para o presidente."TENSÃO Além dos governadores, no dia 23 os venezuelanos também elegerão prefeitos e vereadores. O clima é de tensão, com Chávez ameaçando cortar os repasses de recursos para Estados nos quais seus adversários vençam e prender opositores como Martínez e o atual governador de Zulia, Manuel Rosales, candidato à prefeitura de Maracaibo. No sábado, o presidente venezuelano chegou a dizer que pode ter de colocar tropas nas ruas se perder em Carabobo. "A estratégia do presidente é dissuadir os simpatizantes da oposição a não votarem", diz Francine. "O risco, para ele, é que declarações tão autoritárias tenham o efeito oposto, afastando até de alguns de seus aliados."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.