AP/Natacha Pisarenko
AP/Natacha Pisarenko

Eleição de Macri é melhor para Brasil e Mercosul, dizem economistas

Ao propor fim de barreiras comerciais e reestruturação econômica, candidato da direita tem posições mais claras do que o governista Daniel Scioli

GUILHERME MORAES, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

19 de novembro de 2015 | 23h07

O comércio bilateral com o Brasil deve ser impulsionado e o Mercosul tende a se fortalecer caso Mauricio Macri vença as eleições na Argentina no próximo domingo, segundo analistas ouvidos pelo Estado. Líder da corrida presidencial, o oposicionista já anunciou que vai promover um severo ajuste econômico se assumir a Casa Rosada a partir de dezembro.

Candidato da direita nestas eleições, Macri promete implementar na economia uma agenda que se contrapõe às medidas não ortodoxas dos últimos 12 anos de kirchnerismo. Quer, por exemplo, renegociar a dívida externa, dar independência ao Banco Central e abrir a economia para investimentos estrangeiros.

Embora também sinalize com propostas liberais, o candidato governista, Daniel Scioli, ainda é apontado como uma incógnita.“Não sabemos qual será sua margem de manobra. Caso seja eleito, é possível que precise fazer concessões a Cristina Kirchner, em um processo semelhante ao que ocorreu no Brasil com Dilma Rousseff”, avalia Fabio Giambiagi, especialista em economia argentina.

No plano externo, Macri pretende oxigenar a relação bilateral com o Brasil, maior parceiro comercial da Argentina, derrubando barreiras criadas no governo Kirchner. Uma delas é a política que obriga as empresas argentinas a exportar antes de importar, usada para controlar a saída de dólares do país.

Para o economista Robson Gonçalves, a possível vitória do oposicionista também representa a esperança de tempos melhores no que diz respeito aos contratos de obras públicas. “As construtoras brasileiras poderiam estar operando na Argentina para compensar o mau momento da construção civil no País, mas o desrespeito aos contratos é algo que já está consolidado no kirchnerismo.”

Quanto à política cambial, a divergência entre os candidatos é mais clara. Se, de um lado, Scioli defende uma eliminação gradual do controle do câmbio pelo Banco Central, de outro, o oposicionista deixa claro que a taxa será livre durante seu governo. Hoje muito apreciado em termos reais, o câmbio argentino provoca grande dificuldade de acesso ao dólar no mercado local.

Doutor em economia pela USP, Juan Jensen prevê que a proposta de Macri de combater o dólar paralelo traz duas conseqüências imediatas. “Essa medida implica em uma forte desvalorização do peso, que, por um lado diminui o poder de compra da população, mas de outro melhora a competitividade do produto argentino no comércio exterior.”

Além de se reaproximar do Brasil, Mauricio Macri acena com um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, travado há vários anos justamente pela Argentina. Dentro do próprio bloco sul-americano, o país é criticado por adotar várias medidas protecionistas unilaterais.

Para Robson Gonçalves, porém, o processo de reabertura proposto pelo candidato deve acontecer aos poucos, caso ele seja eleito. “Evidentemente, não se pode dar um ‘cavalo-de-pau’ em um transatlântico”, afirma o economista. “Macri se propõe a mudar os rumos da economia da Argentina, mas não há como evitar um dolorido processo de transição.”

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