Eleição decide futuro da presidência de Fox

Amanhã será um dia-chave para o presidente Vicente Fox, que três anos atrás fez história no México ao derrotar o regime de sete décadas do Partido Revolucionário Institucional (PRI) com promessas de profundas mudanças. Fox enfrenta um plebiscito sobre seu governo nas primeiras eleições federais desde seu triunfo. Em meio a uma grande apatia do eleitorado, serão renovadas as 500 cadeiras da Câmara de Deputados, escolhidos 6 governadores, 456 prefeitos e representantes para outros cargos locais. Apesar da popularidade de Fox, que tem 60% de aprovação, seu Partido de Ação Nacional (PAN) não deixou de cair nas pesquisas de opinião, que lhe outorgam um empate técnico com o PRI, em cifras de que vão de 40% a 35%, ou mesmo uma derrota. O PAN necessita obter a maioria na Câmara de Deputados para levar adiante importantes reformas antes do fim do mandato de Fox, em 2006. O PRI é a primeira força no Senado, que será renovado somente daqui a três anos. Poucas mudanças Depois da euforia de 2000, quando Fox foi eleito com 42,5% dos votos, as esperanças dos mexicanos no governo foram diminuindo e o PRI, sem ter realizado uma verdadeira renovação interna, já pensa em voltar ao poder nas próximas eleições presidenciais. "O futuro do mandato de Fox está por um fio. Se não forem obtidos acordos com a oposição nos dois anos seguintes, não haverá reformas significativas e a intenção de voto pelo PAN, longe de aumentar, pode continuar diminuindo", disse o analista mexicano Jorge Chabat. A pobreza e a insegurança continuam altas. Nenhuma autoridade do governo anterior foi para a prisão por corrupção. Não houve ajuste de contas com o passado, nem reformas estruturais. A economia quase não cresceu e o desemprego aumentou. O governo põe a culpa na conjuntura mundial e na oposição, que bloqueou várias de suas iniciativas no Congresso. Mas a oposição acusa o governo de ter sido incapaz de obter consensos políticos e de se deixar levar pela correnteza. Denúncias O presidente também tem enfrentado nos últimos dias um escândalo pelas denúncias da oposição, rejeitadas pelo governo, de que a campanha de Fox, em 2000, recebeu recursos ilegais. Segundo o político opositor Pablo Gómez, o grupo Amigos de Fox, que arrecadou fundos para sua campanha, recebeu de modo ilegal cerca de US$ 15 milhões de empresas, entre elas a Coca-Cola, da qual Fox foi diretor. A oposição também assegura que os exilados cubanos em Miami contribuíram para a campanha em troca de um endurecimento do governo mexicano com o governo comunista de Havana. As leis eleitorais mexicanas proíbem os partidos de aceitarem recursos de empresas mexicanas ou estrangeiras e dinheiro de pessoas que vivam ou trabalhem fora do México. RX das eleições Cerca de 64,7 milhões de eleitores foram convocados para ir às urnas hoje. As 500 cadeiras da Câmara de Deputados serão disputadas por 5.123 candidatos de 11 partidos políticos. Dos 500 deputados federais, 300 serão eleitos de forma uninominal - um por distrito - e os 200 restantes por representação proporcional, com base no número de votos de cada partido. Os principais partidos são o governista PAN, o PRI e o esquerdista Partido da Revolução Democrática (PRD), que espera duplicar seu número de cadeiras nas eleições de amanhã por causa da alta popularidade de seus dirigentes, principalmente do prefeito da Cidade do México, Andrés López Obrador, e do histórico líder Cuahutémoc Cárdenas. Atualmente, o PRI conta com 209 deputados, o PAN, com 207 e o PRD, com 52. Os partidos minoritários são o Partido do Trabalho, o Partido Verde Ecologista do México, o Convergência, o Partido da Sociedade Nacionalista, a Aliança Nacional, o México Possível, o Partido Liberal Mexicano e a Força Cidadã. O Instituto Federal Eleitoral imprimiu 67,8 milhões de cédulas em um papel especial com marca d´água, fibra invisível e marcas ocultas para evitar sua falsificação e pôs à disposição mais de 121 mil urnas.

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