Eleição deve dividir Parlamento da Austrália após 50 anos

Os australianos vão às urnas no sábado com a perspectiva de terem um Parlamento sem maioria pela primeira vez em mais de meio século, o que já derrubou a cotação da moeda e das ações locais, refletindo os temores de investidores com o possível impasse político.

JAMES GRUBEL, REUTERS

20 de agosto de 2010 | 19h44

A primeira-ministra Julia Gillard mantém um ligeiro favoritismo, apesar de uma redução no apoio ao governo durante cinco semanas de uma campanha que não empolgou os 14 milhões de eleitores.

A eleição definirá o futuro de um imposto de 30 por cento sobre as atividades das grandes mineradoras de ferro e carvão, que o governo pretende adotar, da criação de uma rede nacional de banda larga, no valor de 38 bilhões de dólares, e de um projeto de longo prazo para a redução das emissões de gases do efeito estufa, por meio de créditos de carbono.

O líder da oposição conservadora, o ex-seminarista Tony Abbott, prometeu abandonar as três propostas, ao longo de uma campanha voltada para críticas aos gastos e às dívidas do governo.

A eleição ocorre duas semanas depois de o Partido Trabalhista substituir o primeiro-ministro Kevin Rudd por Gillard, na esperança de conter a queda de popularidade do governo.

Se Gillard se eleger, será a primeira mulher a vencer uma eleição nacional na Austrália. Se perder, terá sido uma das mais efêmeras governantes do país, após 58 dias no cargo.

Todas as pesquisas indicam um resultado acirrado. A do instituto Newspoll, por exemplo, dá 50 por cento para cada partido. Na do instituto Nielsen, publicada na edição de sábado dos jornais Sydney Morning Herald e Age, os trabalhistas têm 52 por cento.

Sem maioria absoluta, o partido vencedor terá de se aliar a deputados independentes ou do Partido Verde, o que deixará no limbo propostas como o novo imposto sobre a mineração, e criará incerteza nos mercados.

Dois dos três principais independentes -- eventuais fiéis da balança -- disseram que não podem garantir a aprovação do orçamento de um governo minoritário, o que abre a possibilidade de uma crise fiscal ou de um governo efêmero.

Agravando a incerteza, as pesquisas sugerem que o Partido Verde pode se tornar o fiel da balança no Senado, o que poderia frustrar a agenda legislativa do novo governo, qualquer que seja ele.

A pesquisa Reuters Poll Trend na quarta-feira apontava uma apertada vitória trabalhista, e a pesquisa Galaxy na sexta-feira também dava ligeiro favoritismo a Gillard.

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