Eleição deve levar Israel ainda mais à direita

Pesquisas indicam reeleição de Netanyahu e forte ascensão de partido ultrarradical

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2013 | 02h02

Um dos governos mais à direita da história de Israel deve emergir das eleições parlamentares de hoje. Pesquisas indicam que o atual primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, não terá problemas em se manter no posto, mas sua coligação deverá encolher em razão da aparição de mais uma força política de direita, o partido Habayit Hayehudi (Casa Judaica), do jovem empresário Naftali Bennett.

Caso essa tendência se confirme, as possibilidades de uma negociação de paz entre Israel e a Autoridade Palestina se tornarão remotas, fazendo crescer o isolamento de Israel. A tensão entre Tel-Aviv e Teerã, que continua a resistir a inspeções internacionais em seu programa nuclear, também deverá crescer.

A campanha israelense, entretanto, foi dominada por assuntos internos, como a condução da economia, a aprovação de um novo orçamento e os privilégios concedidos pelo Estado a grupos ortodoxos.

Ontem, Netanyahu fez um chamado ao eleitorado de direita para que "viesse para casa" e não votasse no partido de Bennett, ex-chefe de gabinete do premiê. O partido Habayit Hayehudi deve se tornar a terceira maior força política de Israel, atrás da coalizão entre o Likud e o Israel Beiteinu - liderada pelo próprio Netanyahu - e os trabalhistas.

O primeiro-ministro, em um último comício em Jerusalém, prometeu resistir às pressões internacionais e manter a construção de assentamentos na Cisjordânia. "Não tenho dúvidas de que muitas pessoas decidirão, no último minuto, voltar para casa, para o Likud-Israel Beiteinu", disse o premiê. "Tenho um bom pressentimento e faço um apelo a todo cidadão a caminho das urnas: decida em quem você vai votar - para um Israel fraco e dividido ou para um Israel forte e com uma grande base governista?", completou.

Bennett, que liderou organizações de colonos, defende a anexação de grande parte da Cisjordânia. Netanyahu, no início de seu governo, disse que aceitava o princípio de dois Estados, um israelense e outro palestino, como base para a negociação de paz.

O primeiro-ministro israelense entrou na disputa eleitoral em coalizão com o Israel Beiteinu, de seu ex-chanceler Avigdor Lieberman. Com essa decisão, Netanyahu buscava neutralizar grupos mais à direita - estratégia que fracassou diante do carisma de Bennett, principalmente entre o eleitorado jovem.

O empresário, porém, não esconde que aceitará entrar para a base do governo na Knesset (Parlamento), algo que o tornaria uma das peças-chave do próximo governo. O rosto de Netanyahu chegou a ilustrar cartazes de campanha do Habayit Hayehudi. Com Bennett a bordo, a coalizão de Netanyahu migraria ainda mais para a direita. / REUTERS

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