Eleição do Haiti é válida apesar de 'irregularidades', diz OEA

Dois dos principais candidatos da oposição voltaram atrás nas acusações de fraude do pleito

BBC

30 de novembro de 2010 | 09h42

Haitiano computa votos na sede da Comissão Eleitoral Provisória.

 

PORTO PRÍNCIPE - A missão conjunta da Organização dos Estados Americanos (OEA) e do grupo regional do Caribe Caricom disse considerar que as eleições presidenciais do Haiti foram válidas, apesar das "sérias irregularidades".

 

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A votação, que aconteceu no último domingo, foi marcada por desorganização, atrasos e protestos da candidatos e eleitores.

Mas observadores da missão disseram que atrasos nas zonas eleitorais não seriam razão suficiente para pedir o cancelamento do processo eleitoral.

"A missão conjunta não acredita que estas irregularidades, mesmo sendo sérias, deveriam invalidar as eleições", disse o chefe do grupo de observadores, Colin Granderson.

Doze dos dezoito candidatos de oposição pediram a anulação dos resultados por suspeita de fraude, que favoreceria o candidato governista Jude Celestin, mas dois deles já retiraram suas objeções à eleição. Granderson disse que a decisão de denunciar o processo como fraudulento foi "apressada" e "lamentável".

A eleição é crucial para o futuro do Haiti, que luta contra uma epidemia de cólera e tenta se reconstruir após um terremoto devastador em janeiro.

Acusações

O Conselho Eleitoral do Haiti negou as alegações de que as urnas teriam sido fraudadas com a inclusão de cédulas preenchidas nas urnas para garantir a vitória de Jude Celestin.

Na última segunda-feira, dois dos principais líderes da oposição, Mirlande Manigat e Michel Martelly, voltaram atrás em suas posições, dizendo que o resultado das eleições deveria ser respeitado.

Martelly, que é um astro pop no país, disse que o protesto da oposição teria conseguido impedir que o governo roubasse votos. Por isso, segundo ele, a contagem deveria continuar. "Eu quero que o conselho eleitoral, o presidente Preval e a comunidade internacional respeitem a voz da população", disse Martelly.

Segundo o correspondente da BBC em Porto Príncipe Mark Doyle, Martelly pode ter mudado de posição por achar que está ganhando. Ele disse que a eleição foi marcada por má administração e incidentes de fraude. Houve relatos de eleitores que não estavam registrados em suas seções e de outros que, apesar de terem os documentos corretos, não sabiam onde votar.

Algumas seções abriram com horas de atraso e houve alegações de que pessoas votaram muitas vezes seguidas.

Os resultados são esperados a partir do dia 5 de dezembro, e a contagem final deve ser anunciada em 20 de dezembro. Se nenhum dos candidatos receber mais de 50% dos votos, os dois mais votados irão para o segundo turno em 16 de janeiro.

O pleito de domingo também também escolheu 11 dos 30 senadores e todos os 99 deputados do país.

 

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