Eleição é só o começo de uma longa jornada para a Itália

A eleição da Itália neste fim de semana é provavelmente o evento político mais importante do ano para a zona do euro. Investidores internacionais são favoráveis a uma coalizão de centro-direita liderada por Pier Luigi Bersani, do Partido Democrático, e que também envolva o primeiro-ministro interino do país, Mario Monti. Esse cenário é considerado saudável por representar a maior chance de as reformas econômicas continuarem e também é o que tem mais chances de ocorrer, segundo as pesquisas.

AE, Agência Estado

23 de fevereiro de 2013 | 14h34

Mas os resultados da eleição, que devem ser divulgados na segunda-feira (25), serão só o começo de uma longa jornada para a Itália, mesmo que eles não incluam um choque provocado por uma inesperada vitória da coalizão de centro-direita do ex-premiê Silvio Berlusconi. Vai levar tempo para que o novo governo seja formado, mesmo que o resultado seja o esperado. No atual cenário, Bersani alcançaria a maioria na câmara baixa, mas não no Senado, precisando assim de uma aliança com Monti.

As incertezas são relacionadas ao crescente apoio ao Movimento Cinco Estrelas do comediante Beppe Grillo, o que pode remover votos dos principais partidos, e à possibilidade de um Parlamento dividido, o que ameaçaria a estabilidade do governo. Além disso, Berlusconi continua sendo uma ameaça, ao prometer desfazer reformas e aumentar as tensões com a Europa.

Além disso, o novo governo terá que definir políticas, principalmente para impulsionar o crescimento. Desde 1990, a Itália é a economia avançada que menos cresce no mundo, com o Produto Interno Bruto (PIB) real crescendo somente 0,8% ao ano.

Uma reforma no mercado de trabalho também é essencial, incluindo a abertura de mais vagas para serviços legais, médicos e farmacêuticos. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima que essas mudanças podem aumentar a produtividade do país em 14,1% e acrescentar 1,5% ao PIB em 10 anos. A reforma também deve consertar o fato de que os trabalhadores mais antigos têm empregos estáveis garantidos por contratos enquanto os mais jovens estão em posições temporárias e de salários baixos, quando não desempregados.

A política fiscal pode preocupar um pouco menos o próximo governo. A Itália tem registrado superávit orçamentário primário, mas o governo ainda terá que manter a disciplina para começar a reduzir o nível de dívida.

Uma vitória da coalizão de centro-esquerda provavelmente provocará um rali dos bônus italianos, mesmo antes de os investidores observarem as políticas do novo governo. Qualquer outro resultado pode resultar em caos nos mercados.

A única certeza é a de que as tensões estarão em alta na segunda-feira durante a divulgação dos resultados. As informações são da Dow Jones.

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