Eleição egípcia tem baixa participação popular em dia extra de votação

Eleição egípcia tem baixa participação popular em dia extra de votação

Ex-general Sissi, que liderou o golpe contra Morsi, da Irmandade Muçulmana, deve ser eleito

O Estado de S. Paulo,

28 Maio 2014 | 11h05

CAIRO - O ritmo da eleição presidencial egípcia foi vagaroso nesta quarta-feira, 28, último dia da votação, levantando questionamentos sobre o nível de apoio ao candidato favorito, o ex-chefe militar Abdel Fatah al-Sissi. A votação havia sido estendida até hoje em uma tentativa de aumentar o comparecimento às urnas.

Em um país polarizado desde o levante popular que derrubou o ditador Hosni Mubarak em 2011, o baixo quórum pode estar relacionado a um sentimento de apatia política, à possibilidade de outro presidente ligado a militares, ao descontentamento com a supressão de liberdades entre a juventude liberal e a pedidos de boicote às urnas feito por ativistas islâmicos.

Para Sissi, que liderou o golpe contra o ex-presidente Mohamed Morsi, da Irmandade Muçulmana, em 2013, os riscos são altos. Um baixo apoio na eleição pode significar que a legitimidade do ex-general como chefe de Estado fique prejudicada tanto dentro do país quanto internacionalmente.

As votações, com duração prevista de dois dias, deveriam originalmente ser concluídas na terça-feira 27, mas foram estendidas até o fim da tarde desta quarta para permitir que o "maior número possível" de pessoas votem, informou a imprensa estatal.

A missão observadora Democracia Internacional disse que a decisão de estender a votação levantou dúvidas sobre a integridade do processo eleitoral do Egito. "Resoluções de última hora sobre procedimentos eleitorais importantes, tais como a decisão de aumentar o tempo de votação em um dia, deveriam ser feitas apenas em circunstâncias extraordinárias", afirmou o presidente da entidade, Eric Bjornlund, em comunicado.

Para distanciar Sissi dessa decisão, vista por comentaristas políticos como uma tentativa vergonhosa de atrair votos de última hora de eleitores relutantes, sua campanha anunciou que ele se opôs à medida./ REUTERS

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