REUTERS/Ammar Awad
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Eleição em Israel é referendo para definir futuro de Netanyahu

Parlamento está travado desde a primeira tentativa de eleger um novo governo - há mais de 300 dias

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2020 | 17h39

JERUSALÉM - O Estado de Israel se prepara para mais uma eleição nacional, a terceira no espaço de um ano. Na manhã da segunda, 2, seis milhões de eleitores voltarão às urnas para tentar por fim ao bloqueio político vivido pelo país que não consegue formar um novo governo desde o início de 2019. 

O Knesset, o parlamento de Israel, está bloqueado desde a primeira tentativa de eleger um novo governo, há 328 dias. Como nenhuma das coalizões conseguiram formar governo, novas eleições foram realizadas há cinco meses. Também não houve consenso. Agora, os eleitores israelenses se dividem entre a apatia e a esperança de que esta votação seja definitiva.

Além do cansaço que já atinge o eleitorado, um outro fator particular deve ser observado durante este pleito: a acusação de corrupção contra o primeiro-ministro em exercício, Binyamin Nethanyahu, que deve sentar no banco dos réus em 17 de março.

Analistas pontuam que esse fator transforma as eleições em um referendo nacional para definir se o futuro de Nethanyahu, que chefia o Executivo do país há mais de dez anos.

Além das denúncias contra o primeiro-ministro, um tema que ganhou importância na reta final - mas que esteve ausente da campanha - foi a preocupação com o coronavírus, que já teve sete casos confirmados em Israel. Como o tema vai impactar o eleitorado ainda é uma incógnita.

'Operação de guerra'

O medo do coronavírus afetou o planejamento das eleições. O Comitê Central Eleitoral confirmou que montará 14 centros de votação no país para as mais de mil pessoas que se encontram em quarentena por causa do vírus. A estes centros, serão somadas mais de 10 mil urnas, repartidas de norte a sul do país e em assentamentos judeus no leste de Jerusalém e na Cisjordânia ocupada.

De acordo com as autoridades eleitorais, a eleição será realizada sob estritas medidas de segurança, que incluem o bloqueio dos acessos da Cisjordânia ocupada e a convocação de 18 mil policiais, agentes de segurança privada e voluntários. O Ministério da Saúde também acompanhará o processo para evitar a propagação do coronavírus.

Pela lei israelense, o dia de votação tem um caráter festivo no país. Parte do transporte público será gratuito para que a população, inclusive idosos, locomova-se com maior facilidade aos colégios eleitorais.

Expectativas

As últimas pesquisas eleitorais não evidenciam que algum candidato será capaz de formar governo. Nem o bloco de direita, liderado por Nethanyahu, nem o de centro-esquerda, do ex-general Benny Gantz, devem conseguir conquistar as 61 cadeiras necessárias para formar uma coalizão no Parlamento. A não ser que ocorra uma mudança substancial nos padrões de voto, o futuro político de Israel ficará a mercê da negociação entre os partidos.  / AFP, REUTERS E AP 

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