REUTERS/Amir Cohen
REUTERS/Amir Cohen

Eleição em Israel: entenda como funciona a votação da próxima semana

País terá a quarta eleição em menos de dois anos; confira o funcionamento, em linhas gerais, do sistema eleitoral israelense

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2021 | 15h00

JERUSALÉM - Cerca de 6,5 milhões de israelenses são esperados nas urnas na próxima terça-feira, 23, para eleger o Parlamento, ou Knesset, nas quartas eleições em menos de dois anos que podem tirar Binyamin Netanyahu  do poder.

Em tese, o mandato dos deputados dura quatro anos em Israel. A convocação de eleições antecipadas não é incomum, porém, ocorrem em um contexto de divisões entre partidos que não chegam a acordos governamentais nem formam coalizões estáveis. 

Confira abaixo o funcionamento, em linhas gerais, do sistema eleitoral israelense:

Voto proporcional

O sistema de voto proporcional integral facilita o acesso dos pequenos partidos ao Parlamento, o qual conta com 120 assentos, e favorece a pluralidade política. O número de cadeiras em cada lista eleitoral depende do percentual de votos obtidos. Ainda assim, é necessário um mínimo de 3,25% para entrar no Knesset, uma proporção que corresponde a quatro cadeiras (3,25% de 120 = 4). 

Por exemplo, se um partido ganha cerca de 6,5% dos votos, os oito primeiros candidatos de sua lista ganhariam uma cadeira. Este sistema também favorece o agrupamento de partidos pequenos, ou de nanicos, sob uma única bandeira, para garantir que, juntos, possam atingir o patamar de 3,25% para representação na Casa. 

Nas últimas três eleições (abril de 2019, setembro de 2019 e março de 2020), a taxa de participação ficou em torno de 70%. Desta vez, os israelenses votam durante uma pandemia, mas quase metade da população, incluindo cerca de dois terços dos eleitores, já está vacinada.

O exercício da coalizão

Com tantos partidos, é praticamente impossível que apenas um obtenha a maioria absoluta das 61 cadeiras necessárias para formar um governo. Assim, logo que a apuração termina, começam as negociações para formar uma coalizão viável. O presidente (hoje Reuven Rivlin) consulta os partidos para saber quem eles recomendam para tentar formar um governo. 

Em seguida, designa o candidato que, segundo ele, tem mais opções para formar uma coalizão. Essa pessoa não precisa ser o líder do partido mais representado no Parlamento. Em setembro de 2019, o partido de centro Azul-Branco, do ex-chefe do Exército Benny Gantz conseguiu uma maioria dos assentos no Parlamento, mas não foi capaz de formar uma coalizão.

Novas eleições tiveram, então, de ser convocadas no final. Depois das últimas eleições, em março de 2020, o presidente pediu a Netanyahu que formasse um governo estável. Mas, ao não conseguir reunir apoio suficiente entre seus aliados conservadores, ele teve de convencer seu rival Benny Gantz a formar um governo de união e enfrentar a pandemia da covid-19. 

Esse governo durou apenas alguns meses e, por isso, foram convocadas eleições para terça-feira.  / AFP

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