Dan Balilty/The New York Times
Dan Balilty/The New York Times

Eleição em Israel: quais são os cenários e o que acontece agora?

Binyamin Netanyahu e Benny Gantz declararam vitória em uma das mais acirradas eleições em Israel nos últimos anos, mas a definição de um novo governo israelense pode demorar

Reuters, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2019 | 20h13

JERUSALÉM - O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e seu principal adversário, Benny Gantz, declararam vitória na eleição de Israel nesta terça-feira, 9. Sondagens de canais de TV israelense indicam resultados conflitantes sobre quem será como líder do novo governo, mas as pesquisas já erraram no passado.  Analistas dizem que ambos os lados ainda têm muito para jogar. No entanto, há indicações de que Netanyahu tem um caminho mais claro para formar um governo de coalizão com outros partidos de direita, extrema-direita e religiosos. Aqui está um guia rápido para o que acontece a seguir:

Quanto tempo leva a apuração em Israel?

Os resultados finais são esperados para sexta-feira, mas resultados parciais são publicados pelo Knesset conforme a contagem de votos é totalizada, então uma imagem mais clara começará a surgir antes da contagem final.

Por que tanto tempo?

Israel tem um sistema parlamentar, o que significa que os eleitores escolhem entre as listas de candidatos do partido para servir no Knesset de 120 assentos. Nenhum partido ganhou a maioria desde a primeira eleição de Israel, em 1949. Na eleição de 2019, cerca de 6 milhões de israelenses votaram. Para entrar no parlamento, um partido precisa passar de um mínimo de 3,25% do voto nacional, equivalente a 4 assentos no Knesset. Com 40 partidos, pelo menos 12 com chance real de ultrapassar o limite, os cálculos levam tempo.

O que acontece após o resultado?

O presidente de Israel consultará os líderes de todos os partidos que ganharam assentos no Parlamento sobre sua preferência por um primeiro-ministro, e então escolherá o parlamentar que ele acredita ter a melhor chance de formar uma coalizão. O indicado, que não necessariamente tem que ser o chefe do maior partido, tem até 42 dias para formar um governo. Se ele ou ela falhar, o presidente pede a outro político para tentar. Os principais candidatos geralmente têm uma boa ideia se têm apoio majoritário antes de se encontrar com o presidente, mas as coisas podem mudar no processo de negociação.

Qual coalizão pode ser formada?

Inúmeros cenários são possíveis. Netanyahu provavelmente buscará uma coalizão semelhante ao seu atual governo, com partidos ultranacionalistas e ortodoxos judeus. Gantz, que lidera o centrista Partido Azul e Branco, provavelmente terá o apoio dos partidos de esquerda. Mas as pesquisas antecipadas indicam que, mesmo assim, ambos podem ficar aquém da maioria para formar um governo.

Quanto tempo isso leva? 

As negociações de coalizão anteriores muitas vezes se arrastaram por dias e até semanas. Quem for solicitado a formar o próximo governo terá que acomodar vários partidos, a menos que Netanyahu e Gantz escolham unir forças e formar um governo de unidade - cenário improvável.

Que outros fatores envolvem a eleição israelense?

O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu está enfrentando acusações em três casos de corrupção, e pode ser formalmente acusado até o fim do ano. Isso poderia enfraquecer sua mão nas negociações com potenciais parceiros de coalizão, que podem condicionar seu apoio, caso ele seja indiciado, forçando Netanyahu a atender suas demandas por cargos ministeriais e concessões políticas. O procurador-geral deve dar sua decisão até o final de 2019. Se Netanyahu for acusado, seus aliados políticos terão que decidir se continuam apoiando. Não há garantia de que irão. Netanyahu nega irregularidades em todos os três casos e tem a oportunidade de convencer o procurador-geral a não acusá-lo em uma audiência pré-julgamento, que é esperada para julho.

Outro fator a ser observado é que o presidente dos EUA, Donald Trump, deve divulgar seu aguardado plano de paz para o Oriente Médio algum tempo após a eleição. Até agora, ele tem sido um aliado próximo de Netanyahu, mas se ele pedir a Israel que faça concessões aos palestinos, especialmente qualquer coisa que envolva a cessão de terras, alguns dos aliados de extrema direita de Netanyahu ficarão furiosos. Gantz prometeu buscar a paz, mas não chegou a endossar o estado palestino.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.