Eleição francesa deve ser decidida pelo voto do centro

A batalha entre a direita, do candidato Nicolas Sarkozy, e a esquerda, representada pela socialista Ségolène Royal, para vencer o segundo turno das eleições presidenciais na França, no dia 6 de maio, deve ser decidida pelo voto do centro. Mesmo derrotado no primeiro turno, o eleitorado do centrista François Bayrou vai ter grande peso no pleito derradeiro. Ele obteve 18,57% no domingo, o triplo do total de votos que registrou nas eleições presidenciais de 2002. Quase 7 milhões de franceses votaram em Bayrou no primeiro turno.Seu eleitorado, que reuniu opositores à linha dura da direita, representada por Sarkozy, mas também simpatizantes da social-democracia pouco convencidos pelo programa de Ségolène, será fortemente disputado pelos dois rivais que se enfrentam no segundo turno.?O resultado vai ser ditado pelo comportamento dos eleitores de Bayrou. São eles que farão a diferença. A campanha do segundo turno vai ser essencialmente voltada para o centro?, diz Roland Cayrol, analista político e diretor do instituto de sondagens CSA.?O problema é saber se os eleitores de Bayrou vão entrar na lógica de um debate pró ou anti-Sarkozy. Ou se eles voltarão para seus campos de origem, a esquerda e a direita?, afirma Cayrol.Centro divididoAs primeiras pesquisas indicam que o centro vai se dividir entre a direita e a esquerda. Segundo uma pesquisa do instituto Ifop, divulgada após o anúncio dos resultados do primeiro turno, 54% dos eleitores de Bayrou votarão em Sarkozy no segundo turno.De acordo com outra pesquisa, do instituto CSA, 45% dos eleitores de Bayrou votarão em Ségolène, contra 39% que escolherão Sarkozy e 16% que votarão em branco.A posição de Bayrou está sendo aguardada com ansiedade pelos campos dos dois finalistas da eleição presidencial. O candidato não se pronunciou até o momento sobre as orientações que dará ao seu eleitorado. Ele afirmou que irá ?ouvir as declarações dos dois finalistas antes de se pronunciar a favor de um deles?.O centrista anunciou que na próxima quarta-feira vai realizar uma coletiva de imprensa para dizer ?coisas simples e compreensíveis?.ImpasseBayrou está em um impasse. Após ter criticado fortemente Sarkozy e seu projeto de ?uma sociedade dura e violenta? durante semanas, fica difícil imaginar como o centrista poderia pedir votos para seu rival à direita.Mesmo tendo criticado menos a candidata Ségolène, os analistas estimam que também será difícil para ele pedir votos para a candidata socialista, por ser defender uma política econômica liberal, oposta aos ideais socialistas. Os dois partidos já buscam uma aproximação com Bayrou e seus correligionários. Partidários de Nicolas Sarkozy chegaram a prometeram cargos no futuro governo, caso vençam as eleições.O ministro da Coesão Social, Jean-Louis Borloo, do partido de Bayrou, mas que decidiu apoiar Sarkozy nas presidenciais, disse hoje que é ?indispensável que membros da UDF participem em massa do próximo governo?.Representantes do partido socialista chegaram a defender, antes do primeiro turno, uma aliança com Bayrou.

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