Eleição local torna mais difícil separação catalã

Após fracasso do partido do governador da Catalunha na votação de domingo, grupos separatistas menores impõem condições para apoiar referendo sobre cisão

BARCELONA, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2012 | 02h07

A vitória dos separatistas catalães na eleição local de domingo foi insuficiente para garantir o mandato que eles esperavam para convocar um referendo sobre a independência da região. Antes de realizar qualquer consulta popular, o governador da Catalunha, Artur Mas, terá de firmar alianças com partidos menores que compartilham seu objetivo separatista, mas não a sua agenda social e econômica.

Eleitores frustrados com a crise econômica e com o sistema tributário espanhol deram quase dois terços das 135 cadeiras do Parlamento regional a quatro partidos favoráveis à convocação do referendo. O maior beneficiado foi o esquerdista Esquerra Republicana da Catalunha (ERC), que ontem impôs condições para formar uma coalizão.

Artur Mas, que implementou impopulares cortes de gastos, havia convocado a eleição antecipada para testar o apoio a sua nova iniciativa pela independência. As urnas puniram seu partido, o CiU (Convergência e União), cuja bancada caiu de 62 para 50 deputados.

Para José Ignacio Torreblanca, diretor da unidade madrilenha do Conselho Europeu de Relações Exteriores, o governador catalão "cometeu um erro". "Ele promoveu uma agenda separatista e as pessoas lhe disseram que desejam que outras pessoas realizem essa agenda", disse.

O resultado é um alívio para o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, que enfrenta uma profunda recessão e um desemprego de 25%, enquanto luta para convencer os investidores sobre a estabilidade fiscal e política do país. Artur Mas disse ontem que continuará empenhado em convocar o referendo e acrescentou que "está mais difícil, mas não há razão para desistir do processo".

Apesar do entusiasmo que a questão separatista provocou na Catalunha, região no nordeste da Espanha com peso econômico e cultural, a votação mostrou as divisões na região de 7,5 milhões de cidadãos. A questão principal é saber se a demanda por soberania deve se limitar à busca de concessões fiscais de Madrid ou se deve ir além disso.

O governador convocou as eleições depois de não ter conseguido convencer Rajoy a aliviar a carga fiscal da Catalunha e após um enorme comício pró-independência em Barcelona, em 11 de setembro. Rajoy acusou Mas de desviar a atenção dos catalães sobre sua má gestão financeira.

A questão separatista na Catalunha surgiu como um desafio doméstico para Rajoy, preso na linha de frente da crise do euro e sob pressão para decidir se a Espanha precisa de mais assistência financeira por meio da compra de títulos pelo Banco Central Europeu. / REUTERS e NYT

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