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Eleição marca nova fase política na Grã-Bretanha

Declínio dos dois partidos mais tradicionais do país e crescimento do nacionalismo podem acabar com longa hegemonia de conservadores e trabalhistas

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2015 | 02h03

Depois de mais de um século dominando a política da Grã-Bretanha, os dois maiores partidos do reino, os Conservadores e os Trabalhistas, presenciam o fim de sua hegemonia. Representados pelo atual premiê, David Cameron, e por seu rival, Ed Miliband, as duas legendas têm cada vez mais dificuldades para convencer o eleitorado, agora dividido entre liberais, ecologistas e nacionalistas de diferentes matizes.

Essa é a única certeza que analistas políticos têm sobre as eleições de quinta-feira. Diante de pesquisas inconclusivas, que apontam a tendência de formação de um governo de minoria, a única certeza dos analistas ouvidos pelo Estado é que os dias do bipartidarismo estão contados. "Nos anos 60, conservadores e trabalhistas tinham 97% dos votos. Em 2010, 55%. Não há dúvidas de que o declínio é visível", disse Tony Travers, cientista político da London School of Economics (LSE).

A hegemonia só se manteve até agora porque, pelo sistema político britânico, não é necessário chegar a 40% dos votos para alcançar 50% dos assentos em Westminster (Câmara Baixa), que decide quem governa. O problema é que ambos os partidos estão cada vez mais distantes desse patamar. Segundo o site UK Polling Report, do diretor do instituto YouGov, Anthony Wells, a tendência em 2015 é mais um Parlamento em que nenhum partido alcança os 326 assentos necessários para formar um governo de maioria.

Pesquisa do instituto Ipsos Mori aponta vantagem dos conservadores sobre os trabalhistas (35% a 30%) - seguidos pelo Partido pela Independência do Reino Unido (Ukip), com 10%, e Liberais-Democratas (8%). Já a sondagem do YouGov indica vantagem inversa, com trabalhistas à frente dos conservadores (35% a 34%).

"Há um esfacelamento da paisagem política que não constávamos há mais de um século na Grã-Bretanha", disse Olivier de France, cientista político do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas, de Paris. "A relação de forças indica que nenhum partido obterá maioria."

Para especialistas, Miliband teria mais chances se negociasse uma coalizão, formal ou informal, de partidos antiausteridade fiscal. A coalizão poderia ser com os liberais - que hoje apoiam Cameron - e com o Partido Nacional Escocês (SNP), os independentistas da Escócia. O trabalhista, porém, é de uma ala mais à esquerda do partido, distante da terceira via de Tony Blair, e já descartou uma aliança com os escoceses, o que embaralhou ainda mais o cenário.

Diante da incapacidade de Miliband de unir o campo progressista, cresce a tese de que a única chance de estabilidade seja votar em Cameron. O problema, porém, é ele próprio. Depois de cinco anos de medidas de austeridade, que lhe valeram comparações com Margaret Thatcher, ele é odiado por parte da opinião pública. "Cameron é impopular e nunca ganhou uma eleição", disse Stephen Ingle, professor da Universidade Stirling. "O Partido Conservador só quer saber de vitória. Ele teve tudo para vencer em 2010, mas não venceu."

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