Eleição municipal no Irã é teste para Ahmadinejad

Os iranianos escolhem na sexta-feira novas câmaras municipais e um importante órgão clerical, no primeiro teste eleitoral para Mahmoud Ahmadinejad e seus aliados desde que assumiu a Presidência, no ano passado.Os votos para as câmaras e para a Assembléia dos Especialistas, na teoria a instituição mais poderosa do país, vão demonstrar se os rivais do presidente estão reconquistando sua popularidade, mesmo que os resultados não tenham impacto direto sobre o governo.A falta de pesquisas confiáveis dificulta qualquer previsão eleitoral no Irã, mas vários eleitores em Teerã declaram votar em candidatos próximos ao presidente."Ele (Ahmadinejad) ouviu os jovens, defendeu nossos direitos nucleares e viajou para as províncias para resolver os problemas das pessoas diretamente", disse Ali Damabi, 18, que vota em um bairro operário da zona sul da capital.O próprio Ahmadinejad passou cerca de meia hora na fila para votar em uma mesquita da zona leste. Foi cercado por simpatizantes, muitos dos quais entregavam bilhetes com pedidos de ajuda.PolêmicaAhmadinejad vem provocando preocupações no Ocidente com suas declarações contra Israel e por causa do programa nuclear do país - que Teerã nega ser voltado para a produção de armas.O presidente promete distribuir melhor a riqueza do petróleo iraniano, o que lhe garante um forte apoio entre os mais pobres, embora muitos também se queixem da inflação, que segundo economistas é provocada pelos gastos públicos.Na disputa pelas vagas de vereador em Teerã, os conservadores estão divididos entre os aliados de Ahmadinejad, na chapa chamada "O Agradável Aroma da Servidão", e os seguidores do prefeito Mohammad Baqer Qalibaf.Já o movimento reformista, derrotado nas eleições municipais de 2003 e nas parlamentares e presidenciais posteriores, tenta voltar ao cenário, mas dificilmente conseguirá eleger grandes bancadas."Muita gente pode não vir votar hoje, mas eu vim e votei para impedir que os conservadores assumam o controle da Câmara", disse Raihaneh Pajvak, de 29 anos, eleitor na rica zona norte da cidade.Pouca audiênciaDe fato, o resultado depende em grande parte do grau de comparecimento dos 46,4 milhões de eleitores inscritos, que poderão escolher entre cerca de 233 mil candidatos para as mais de 113 mil vagas de vereadores em todo o país.Em 2003, o comparecimento foi de apenas 49%, sendo que em Teerã apenas 12 por cento votaram. Muitos eleitores estavam desiludidos com os reformistas, que não conseguiram tornar a sociedade iraniana mais livre, conforme prometiam.Também serão escolhidos os 86 membros da Assembléia de Especialistas, o órgão clerical que nomeou, supervisiona e pode destituir o aiatolá Ali Khamenei, de 67 anos, do posto de "líder supremo", a principal autoridade iraniana.Essa assembléia tem mais poderes até que o Parlamento e o presidente. Ela é dominada por clérigos conservadores e tradicionalistas, que nunca desafiaram abertamente a autoridade de Khamenei.A disputa é dominada por dois rivais: o influente ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani e o aiatolá Mohammad Taqi Mesbah-Yazdi, considerado o mentor espiritual de Ahmadinejad.Um punhado de parlamentares também será eleito para substituir postos vagos no Parlamento. Os resultados devem ser divulgados até a noite de domingo.

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