Eleição na Argentina define futuro de presidenciáveis

Os primeiros resultados oficiais da apuração dos votos na Argentina vão ser divulgados às 21 horas, segundo informou o secretário de Comunicações, Enrique Albistur. As eleições são parlamentares, mas vão definir o futuro político dos possíveis candidatos à Presidência em 2011 e do governo da presidente Cristina Kirchner.

MARINA GUIMARÃES, Agencia Estado

28 de junho de 2009 | 20h22

As pesquisas de boca-de-urna indicam uma vitória apertada dos governistas Néstor Kirchner e Daniel Scioli (Frente para a Vitória, do Partido Justicialista) sobre a coalizão opositora de Francisco De Narváez e Felipe Solá (Unión-Pro, que reúne dissidentes justicialistas e o partido Proposta Republicana). Kirchner e Scioli puxam os votos para a lista oficial de candidatos à Câmara dos Deputados pela província de Buenos Aires, que concentra quase 38% dos votos do país e tem peso suficiente para decidir uma eleição presidencial.

Mas em outras três províncias importantes, Córdoba, Mendoza e Santa Fé, os governistas não aparecem nas pesquisas de boca-de-urna como vitoriosos. Em Córdoba, a lista encabeçada pelo candidato Luis Juez (Frente Cívico), ex-aliado de Kirchner, seria a vencedora das eleições para o Senado. Em Mendoza, tudo indica que o grande vitorioso é o candidato do vice-presidente Julio Cobos.

A lista liderada pelo senador Ernesto Sanz (Frente Cívico Federal, aliança entre a União Cívica Radical e os seguidores de Cobos) teria ampla vantagem sobre a lista governista. Essa vitória fortaleceria Julio Cobos, que tem claras aspirações de ser candidato a Presidência em 2011.

Em Santa Fé, a boca-de-urna indica que a vitória é da lista liderada pelo candidato socialista Rubén Giustiniani (Frente Progressista, Cívico e Social), seguida pelos candidatos apoiados pelo senador Carlos Reutemann, ex-piloto de Fórmula 1, e pré-candidato à Presidência. Giustianiani é apoiado pelo governador de Santa Fé, o socialista Hermes Binner, que também pré-candidato presidencial.

Os resultados das eleições na Argentina "ainda não são claros", reconhece o analista Sergio Berensztein, da consultoria Poliarquía. Ele explicou que a líder da Coalizão Cívica, Elisa Carrió, que foi candidata à Presidência nas duas últimas eleições, pode sair enfraquecida do atual pleito, já que seu candidato a deputado pela capital federal, Alfonso Prat Gay, ex-presidente do Banco Central, corre o risco de ficar em terceiro lugar.

Prat Gay perderia para Fernando Pino Solanas, o cineasta casado com a atriz brasileira Angela Correia, que representa a legenda Projeto Sul. Carrió é a terceira na lista encabeçada por Prat Gay e corre o risco de não conseguir uma cadeira na Câmara.

O próprio Néstor Kirchner, mesmo ganhando em Buenos Aires, não teria oxigênio suficiente para chegar em 2011 como candidato. Berensztein explicou que o desgaste sofrido por ele e pelo governo de sua mulher, iniciado pelo conflito com o setor agropecuário, e a divisão interna no PJ, impediria sua candidatura. Se Kirchner não se apresenta como presidenciável, o candidato da Casa Rosada seria Daniel Scioli, o atual governador da Província de Buenos Aires.

Scioli se apresentou como candidato a deputado junto com Néstor por pedido do ex-presidente, com o objetivo de puxar votos para a lista oficial. Mas até o momento, Scioli não confirmou se vai renunciar ao cargo de governador para assumir a cadeira na Câmara. Os analistas consideram que embora Scioli tenha boa imagem junto à opinião pública, ele corre o risco de sofrer um desgaste político forte por causa da manobra para ajudar Kirchner a puxar votos. Os movimentos do tabuleiro de xadrez da política argentina dependem dos resultados desta madrugada.

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