Eleição na Argentina define futuro dos Kirchners

"A mãe de todas as batalhas"? Esta é a definição do ex-presidente Néstor Kirchner para as cruciais eleições parlamentares que acontecem hoje na Argentina. Nas últimas semanas, ele apresentou a votação como um plebiscito do governo de sua mulher e sucessora, a presidente Cristina Kirchner, que ainda não completou a primeira metade do mandato. "Se Cristina não tiver maioria no Congresso, corremos o risco de voltar à crise de 2001", ameaçou o ex-presidente em seus comícios.

AE, Agencia Estado

28 de junho de 2009 | 08h43

O casal coloca em jogo a frágil maioria que possui no Congresso, correndo o risco de passar o restante do governo de Cristina sem o controle da Câmara de Deputados e do Senado. Caso as pesquisas se confirmem, será a primeira vez que um governo peronista fica sem maioria em ambas as Casas.

Vinte e sete milhões de argentinos estão habilitados a ir às urnas para renovar metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado. As eleições confrontarão o governista Partido Justicialista (peronista) e sua sublegenda Frente pela Vitória com duas coalizões, a União-PRO e o Acordo Cívico e Social. O principal embate ocorrerá na Província de Buenos Aires, que concentra 38,9% dos eleitores e onde o governo apostou todas as fichas na candidatura de Kirchner, que lidera a lista de deputados.

No entanto, o milionário Francisco de Narváez, da União-PRO, está em seus calcanhares, segundo pesquisas publicadas na sexta-feira. Elas indicam que Kirchner teria uma média de 37% dos votos, enquanto Narváez conseguiria 34%. Na reta final da campanha, o governo usou em peso sua máquina clientelista para tentar garantir uma margem mais ampla sobre Narváez. Segundo as pesquisa, os Kirchners conseguiriam em todo o país entre 35% e 38% dos votos. A oposição, em conjunto, obteria mais de 50%. Nesse cenário, o kirchnerismo seria obrigado a um exercício de negociação e consenso, pela primeira vez em seis anos. O voto na Argentina é distrital e o eleitor vota na lista completa. Cada distrito corresponde a uma província e à capital federal. Segundo estimativas, para garantir a maioria na Câmara em nível nacional, a lista de Kirchner teria de obter 45% dos votos na Província de Buenos Aires - a mais populosa do país. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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