Jose Luis Rodriguez / AFP
Jose Luis Rodriguez / AFP

Eleição na Bolívia: protestos se espalham e OEA convoca reunião sobre resultado

Sessão foi convocada a a pedido das missões permanentes de Brasil, Canadá, Colômbia, Estados Unidos e Venezuela

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2019 | 18h00

LA PAZ - Protestos contra o presidente Evo Morales e a Justiça eleitoral da Bolívia se espalharam nesta terça-feira, 22, por mais cidades do país e a comunidade internacional aumentou as críticas à condução da apuração dos votos.

A Organização dos Estados Americanos (OEA), que monitorou a votação, convocou uma reunião para discutir a crise e o governo prometeu “toda transparência possível” para auditar os resultados.

“A sessão é convocada a pedido das missões permanentes de Brasil, Canadá, Colômbia, Estados Unidos e Venezuela com o propósito de considerar a situação na Bolívia”, informou a OEA em um comunicado divulgado hoje.

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A reunião do Conselho Permanente, que reúne os embaixadores dos 34 países-membros ativos da organização, será na sede da OEA em Washington, às 11h (13h em Brasília) amanhã. Na segunda-feira, a Missão de Observação Eleitoral da OEA na Bolívia pediu que se respeite a vontade da população.

“A Missão da OEA manifesta sua profunda preocupação e surpresa com a mudança drástica e difícil de justificar na tendência dos resultados preliminares conhecidos após o fechamento das urnas”, diz o comunicado.

Em resposta, o governo boliviano pediu à OEA enviar o mais rapidamente possível uma missão técnica a La Paz para auditar uma a uma as atas dos votos das eleições de domingo, questionadas no país e no exterior, disse o chanceler Diego Pary.

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Em carta enviada ao secretário-geral da OEA, Luis Almagro, a Bolívia solicitou que, o mais rapidamente possível, a OEA possa estabelecer uma comissão que faça uma auditoria em todo o processo de contagem oficial dos votos das eleições de 20 de outubro", disse Pary em coletiva de imprensa.

“Nos interessa como governo que todo o processo tenha a transparência necessária, insistiu. 

O governo americano também criticou a apuração. “Os Estados Unidos rejeitam as tentativas da Corte Eleitoral de atrasar a contagem de votos e tomar ações para minar a credibilidade das eleições bolivianas”, disse no Twitter o subsecretário de Estado para a América Latina Michael Kozak. 

Já Mesa, o rival de Evo, voltou a acusar o governo de fraude. “Estão roubando o nosso direito de estar no segundo turno”, disse. 

Paralisação contra demora na apuração

 Grupos civis ligados à oposição ao presidente Evo Morales convocaram uma greve para protestar contra a apuração do primeiro turno da eleição, que indica a reeleição do líder boliviano, no poder desde 2005. Nesta terça-feira, 22, os protestos contra a apuração aumentaram. Uma estátua do presidente venezuelano Hugo Chávez foi queimada. 

Depois de indicar a reeleição de Evo em primeiro turno com base na contagem rápida de 95% votos na segunda-feira, o Tribunal Superior Eleitoral da Bolívia divulgou um boletim da contagem manual que dá uma vantagem bem menor ao presidente sobre o segundo colocado, Carlos Mesa. Esse novo balanço aponta a probabilidade de um segundo turno. 

Segundo os novos números, com 84% das urnas apuradas, Evo tem 44% dos votos e Mesa, 40%. Para vencer no primeiro turno, o presidente precisa de 40% ou mais dos votos com uma vantagem maior que dez pontos porcentuais para o segundo colocado. 

A derrubada da estátua de Chávez ocorreu e, Riberalta, na região amazônica. Uma peça do líder bolivariano com os punhos erguidos e uniforme militar foi derrubada por uma multidão revoltada com a indicação de que não haveria segundo turno. Após a derrubada, manifestantes festejaram em triunfo. 

Chávez foi um dos principais aliados de Evo e visitou a Bolívia em diversas oportunidades.  Nos últimos dias, foram registrados protestos em diversas cidades do país. Em Potosi, manifestantes atearam fogo ao prédio do TSE. Ao menos duas pessoas tiveram de saltar do segundo andar para fugir das chamas.

Durante a madrugada, milhares de pessoas tomaram as ruas gritando palavras de ordem contra Evo. /AFP, WASHINGTON POST e REUTERS

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