Eleição na Grécia e França é nova dor de cabeça para Bruxelas

Os formuladores de política da Europa estão há dois anos e meio buscando uma maneira de sair da maior crise a atacar o projeto europeu desde a sua fundação há 50 anos. E durante 2 anos e meio, um drama atrás do outro os deixou perplexos.

LUKE BAKER, REUTERS

07 Maio 2012 | 14h08

Sempre que um raio de luz aparecia no fim do túnel, a escuridão vinha novamente na forma de uma reviravolta política, turbulência nos mercados financeiros, ou um obstáculo imprevisto, como a Finlândia exigindo garantia para empréstimos de resgate.

Com os resultados das eleições de domingo na França e na Grécia, o cenário mudou mais uma vez, deixando os políticos da União Europeia novamente olhando para uma maneira de sair da escuridão.

"Eu acho que é o pior de todos os resultados possíveis", disse o economista sênior da ING Carsten Brzeski, sobre os resultados eleitorais.

As eleições colocaram o socialista François Hollande no poder como novo presidente da França, questionando a tentativa da zona do euro de enfrentar a crise com cortes no orçamento, apesar do custo para o crescimento econômico; enquanto na Grécia aumentou o apoio para os partidos contrários à austeridade, derrubando a ordem política.

Na Alemanha, a eleição regional no domingo também foi um retrocesso para a chanceler Angela Merkel. Em três das capitais mais importantes da Europa, as prescrições políticas são divergentes.

"Você precisa sentir pena dos formuladores de políticas em todas as capitais, e não apenas em Bruxelas -ninguém consegue acertar", disse Brzeski.

"Isso mostra que a crise está longe de terminar. A interação entre economia e política piorou as coisas, assim como a interação entre os interesses nacionais e os interesses europeus."

A vitória de Hollande não foi uma surpresa e já há um movimento nos círculos políticos da UE para incorporar seu impulso para o crescimento no programa de austeridade que a zona do euro tem seguido nos últimos dois anos, até agora sem muito sucesso.

Mas o fraco desempenho dos dois principais partidos da Grécia -o de centro-direita Nova Democracia e o socialista PASOK, sendo que ambos haviam apoiado o programa nacional de resgate da UE/FMI- surpreendeu alguns analistas políticos e pode forçar uma reavaliação fundamental de como a Europa está enfrentando sua crise.

O impacto desestabilizador já foi visto nos mercados financeiros, com o enfraquecimento do euro contra o dólar, queda das ações de bancos europeus para as mínimas de três anos e alta dos rendimentos dos títulos do governo na Itália e na Espanha.

"A situação hoje é muito mais complicada do que era ontem", disse Janis Emmanouilidis, analista sênior do Centro de Política Europeia, em Bruxelas.

"A incerteza tem sido um impulsionador desta crise desde o início, e o que emergiu da votação grega, em particular, só sublinhou essa incerteza."

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