Eleição na Nicarágua opõe sandinista a banqueiro de Harvard

Mais um round na disputa entre os Estados Unidos e a Venezuela será travado neste domingo, durante as eleições presidenciais na Nicarágua. De um lado, apoiado pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, está ex-guerrilheiro e líder sandinista Daniel Ortega, que tenta retornar à presidência pela quarta vez. Do outro, apoiado por George W. Bush, o banqueiro formado em Harvard Eduardo Montealegre tentará manter o poder sob a influência de Washington. Ortega, que passou quase uma década combatendo os Estados Unidos, lidera as pesquisas contra Montealegre e outros três candidatos. Ele espera obter os 35% dos votos necessários para vencer as eleições no primeiro turno, evitando um confronto direto com o banqueiro no segundo turno. A campanha foi marcada por ameaças de violência e alegações de fraude. Para evitar problemas, soldados e policiais foram enviados aos locais de votação para tomar conta das urnas e cédulas de votos. Na sexta-feira, o presidente da mais alta corte eleitoral do país, Roberto Rivas, informou estar investigando telefonemas recebidos por ele de eleitores de Ortega com ameaças de guerra em caso de derrota do candidato sandinista. Apesar das ameaças, ele não acredita na ocorrência de problemas nas eleições. "Temos cerca de 17 mil observadores", afirmou, para em seguida ironizar o frisson em torno do tema: "Parece que estamos elegendo o presidente do mundo." Entre os observadores, estão o ex-presidente democrata americano Jimmy Carter, o ex-presidente do Peru Alejandro Toledo e o presidente do Panamá, Nicolas Ardito Barletta. Polarização Independentemente de quem for o vencedor, o resultado das eleições no segundo país mais pobre do Ocidente promete agitar a geopolítica da região. Se Ortega vencer, o presidente venezuelano pode ganhar mais um aliado em sua política antiamericana. Já os Estados Unidos esperam pela vitória de Montealegre, em quem vêem um presidente aberto ao comércio e aos investimentos estrangeiros. Investidores interessados em abrir negócios no país aguardam o resultados das eleições. Eles temem a repetição do ocorrido na década de 80, quando Ortega, então presidente, desapropriou terras e indústrias, arruinando a moeda local. Milhares de nicaragüenses milionários se mudaram para os Estados Unidos, levando suas fortunas com eles. "Todos estão esperando à porta neste momento", diz Justin Westbrook, americano, presidente de uma fábrica de estofamento do país. Ele afirma não estar preocupado com a vitória de Ortega, mas com a reação do mundo em caso de vitória do sandinista. Ortega refez sua imagem adotando a linha "paz e amor", mas emite sinais contraditórios. Ele prometeu manter laços com Washington, e até mesmo encorajar acordos de livre comércio com os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que diz que irá manter relações próximas com a Venezuela. O resultado das eleições não deve ser anunciado antes de segunda-feira. O novo presidente, que substitui Enrique Bolanos, assume o cargo em janeiro de 2007.

Agencia Estado,

04 Novembro 2006 | 21h46

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