Eleição na Sérvia determinará relações com Europa

Os sérvios foram às urnas neste domingo, na primeira eleição parlamentar no país desde a separação do território de Montenegro, no ano passado. A eleição opõe o Partido Democrático, do presidente Boris Tadic (pró-ocidental), a Coalizão Popular, do primeiro-ministro Vojislav Kostunica (de centro-direita), e o Partido Radical Sérvio, liderado por Tomislav Nikolic.Segundo a organização independente de pesquisas CeSid, cerca de 46% dos 6,6 milhões de eleitores haviam votado nas primeiras dez horas da votação. Para ter representação no Parlamento, qualquer partido tem que obter um mínimo de 5% dos votos. Resultados parciais devem ser divulgados nesta segunda-feira.Poucos dias depois da votação, a ONU deverá anunciar seu plano para o futuro da província de Kosovo. Na Europa ocidental existe o temor de que uma vitória do Partido Radical Sérvio possa levar a uma crise grave, caso o plano da ONU inclua a independência de Kosovo."Vamos vencer e assegurar que Kosovo continue a ser parte da Sérvia", disse Nikolic ao votar. O presidente Tadic e o primeiro-ministro Kostunica também defendem que Kosovo seja mantida como província sérvia, mas, ao contrário de Nikolic, se comprometeram a resolver essa questão por meios pacíficos.Kosovo tem sido um protetorado internacional desde a guerra de 1998/99 entre os separatistas locais, de etnia albanesa, e o regime do então presidente sérvio Slobodan Milosevic, que foi apoiado pelo Partido Radical.As pesquisas de intenção de voto indicam que nenhum dos três maiores partidos deverá obter maioria suficiente para formar sozinho um novo governo. Analistas políticos têm dito que o novo governo sérvio provavelmente será uma coalizão entre o partido de Tadic e o de Kostunica. "Os democratas vão obter a maioria dos votos, mas não serão capazes de formar um governo sozinhos", admitiu o presidente Tadic neste domingo. Kostunica, por sua vez, declarou há poucos dias que não descarta a hipótese de aliar-se ao Partido Radical para permanecer no poder.O governo liderado por Kostunica tem sido criticado por não ter conseguido prender o ex-general sérvio Ratko Mladic, considerado um dos responsáveis pelos crimes de guerra cometidos na guerra de 1992/95, quando a Sérvia tentava impedir a separação da Bósnia-Herzegovina. Durante a campanha eleitoral, o presidente Tadic disse que, caso o Partido Democrático lidere o novo governo, será redobrado o esforço para capturar Mladic, que foi indiciado pelo Tribunal de Crimes de Guerra da ONU, em Haia (Holanda).

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