Eleição no Equador será decidida em 2º turno neste domingo

Há apenas duas certezas sobre o 2º turno das eleições presidenciais deste domingo no Equador. A primeira é a de que o resultado será apertado. A segunda: qualquer que seja o vencedor - o nacionalista Rafael Correa ou o homem mais rico do país, Álvaro Noboa - o Equador não conseguirá romper imediatamente o ciclo de instabilidade que marca sua história recente. Nos últimos dez anos, nenhum dos três presidentes eleitos conseguiu chegar ao fim do mandato.Cerca de 9 milhões de equatorianos estão inscritos para votarem. De acordo com a última pesquisa do instituto Cedatos-Gallup, divulgada na sexta-feira no exterior - a lei eleitoral não permite a publicação de pesquisas às vésperas das eleições - Correa tem 52% dos votos válidos, enquanto Noboa tem 48%. A sondagem aponta cerca de 17% de indecisos. No 1º turno, Noboa saiu na frente com 26,8% dos votos, enquanto Correa teve 22,8%. Se vencer, Correa, um admirador do presidente venezuelano, Hugo Chávez, enfrentará um Congresso sem um único deputado de seu partido Aliança País (AP), que boicotou a eleição legislativa realizada paralelamente ao primeiro turno presidencial, em 15 de outubro. Na hipótese de uma vitória de Noboa, as relações com o Legislativo seriam mais simples pois a sigla da qual faz parte, o Renovador Institucional Ação Nacional (Prian), obteve 28 das 100 cadeiras do Congresso de câmara única. Uma possível aliança com a Sociedade Patriótica, que elegeu 24 deputados em outubro, lhe garantiria uma maioria confortável, mas o Judiciário se veria numa situação complicada: das 120 empresas que Noboa possui no Equador e no exterior, pelo menos 20 foram indiciadas por supostos delitos de fraude tributária e seus processos tramitam em diferentes instâncias da Justiça.Pesquisas própriasAssessores de ambos os partidos asseguraram ao Estado ter pesquisas próprias que garantem a vitória de seus respectivos candidatos. Correa insiste na tese de que só uma fraude eleitoral poderá evitar seu triunfo - num sinal claro de que não aceitará uma derrota e abrindo a perspectiva de uma nova convulsão social, no caso de vitória de Noboa.Temendo uma onda de protestos e um impasse eleitoral semelhante à da eleição presidencial mexicana de julho - na qual o centro-esquerdista Andrés Manuel López Obrador, também apoiado por Chávez, não aceitou a derrota para o governista Felipe Calderón e liderou protestos que paralisaram a Cidade do México por semanas -, o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) do Equador fez um apelo às emissoras de TV para que não divulguem resultados preliminares, caso a diferença entre os dois candidatos seja inferior a 5 pontos porcentuais. Se a diferença apertada não permitir a divulgação de pesquisas de boca-de-urna, os equatorianos ficarão sem ter nenhuma idéia sobre o resultado da eleição pelo menos até as 22 horas (1 hora da manhã de segunda em Brasília), cinco horas depois do fechamento das urnas, quando o tribunal prevê o anúncio do primeiro boletim oficial da apuração.

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