Eleição no Paquistão será em janeiro

Presidente Musharraf cede à pressão dos EUA, marca uma data para a votação, mas mantém estado de emergência

O Estadao de S.Paulo

12 de novembro de 2007 | 00h00

O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, anunciou ontem que as eleições presidenciais e legislativas serão realizadas até o dia 9 de janeiro. Os EUA e a oposição paquistanesa, liderada pela ex-primeira ministra Benazir Bhutto, afirmaram que a decisão de Musharraf foi ''''altamente positiva''''. Entretanto, Musharraf manteve o estado de emergência, instaurado no começo do mês, contrariando as expectativas de seus aliados americanos.O anúncio do presidente significou um retrocesso na posição tomada por ele durante a semana, quando o governo afirmou que as eleições não aconteceriam antes de fevereiro, um mês depois do planejado. Musharraf ainda reiterou que renunciará ao posto de general antes de fazer o juramento de seu segundo mandato, conforme pediu-lhe o presidente dos EUA, George W. Bush, em telefonema na última quarta-feira.Condoleezza Rice, secretária de Estado dos EUA, se disse satisfeita com o pronunciamento de Musharraf, mas afirmou que, de qualquer forma, a Casa Branca está revisando sua ajuda ao Paquistão. ''''O presidente Bush não quer fazer nada que comprometa sua guerra contra o terrorismo'''', disse Condoleezza.O jornal americano Washington Post publicou ontem uma reportagem revelando a existência de planos do governo Bush para proteger as armas nucleares do Paquistão. O temor das autoridades americanas cresceu desde que Musharraf anunciou o estado de emergência. Os EUA acreditam que o atual governo pode perder o controle de seu arsenal nuclear diante da crescente crise política. O governo americano estima que o Paquistão tenha cerca de 50 armas nucleares (cuja localização é incerta para). O Pentágono afirma ainda que o pai da bomba atômica paquistanesa, Abdul Qadeer Khan, vende segredos atômicos no mercado negro.Na capital Islamabad, a ex-premiê Benazir Bhutto, líder da oposição, que foi libertada de prisão domiciliar no sábado, viu com bons olhos o anúncio de Musharraf, mas ressaltou que a garantia da realização de eleições não bastam para solucionar a atual situação política do país.Ontem, a polícia prendeu 250 manifestantes do partido de Benazir, o PPP (Partido Popular do Paquistão), na cidade de Karachi, sul do país, quando eles protestavam contra a manutenção do estado de emergência. Mais de 3 mil opositores foram colocados em prisão domiciliar desde que o governo destituiu juízes do poder legislativo.No mesmo pronunciamento de ontem, Musharraf anunciou que o atual parlamento paquistanês será dissolvido na quinta-feira, como manda a Constituição, e que um governo interino cuidará do poder Executivo. Contudo, Musharraf deu a entender que as eleições devem ocorrer sob estado de emergência, pois ''''é necessário para assegurar a condições propícias à votação''''.''''Compreendo que a discussão (da suspensão do estado de emergência) deva ser levantada'''', disse o presidente. ''''Mas não posso estabelecer uma data''''. Musharraf justificou, alegando que os atentados terroristas se multiplicariam, assim como as ingerências do Legislativo em sua gestão. O estado de emergência resolve também outro problema de Musharraf. O Supremo Tribunal paquistanês deve anunciar nos próximos dias a decisão sobre a inconstitucionalidade da reeleição de Musharraf, mas o estado de emergência suspende todos os processos que tramitam na Justiça. Mesmo com a oposição sendo vigiada de perto pela polícia, Benazir chegou ontem à cidade de Lahore para participar de mais um grande protesto. Ela pretende liderar amanhã uma carreata de veículos até Islamabad. Na manifestação, Benazir defenderá a renúncia de Musharraf, o fim do estado de emergência, o restabelecimento da constituição e a libertação de advogados e rivais políticos detidos na semana passada. A ordem do governo é que o comboio seja reprimido, como aconteceu na última sexta-feira, quando Benazir ficou detida em casa a maior parte do dia. Ela, porém, não teme represálias. ''''Penso que o governo criará obstáculos, mas seguiremos com nossa grande marcha'''', disse Benazir antes de subir em uma picape blindada. AP, AFP E REUTERS

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