Eleição no Peru é marcada por preocupação de eleitores com futuro

Em votação sem maiores incidentes, eleitores falam sobre falta de escolha e possíveis vencedores.

Mariana Della Barba, BBC

05 de junho de 2011 | 18h45

Após uma corrida presidencial dominada por incertezas e posições extremistas, os peruanos saíram neste domingo para escolher se o país será governado pela conservadora Keiko Fujimori ou pelo nacionalista Ollanta Humala. O processo eleitoral transcorreu normalmente, apenas com alguns problemas que não chegaram a atrapalhar a votação, segundo observadores internacionais e o Departamento Nacional de Processos Eleitorais do Peru. Com o dedo marcado de tinta indelével pela última vez, já que as próximas eleições serão com urna eletrônica, os eleitores estavam tranquilos durante a votação em Lima, mas se diziam tensos e preocupados com o resultado. No bairro central de Miraflores, militares armados acompanhavam a votação nos corredores da escola escola Juana Alarco de Dammert. Ao sair de sua sala, o administrador José Antonio Marote, de 50 anos, conta que votou nulo: "Os dois (candidatos) passaram o tempo todo fazendo ataques um contra o outro e mal falaram de suas propostas." Para ele, essa é uma eleição decepcionante, pois a grande maioria da população está insatisfeita, votando pelo mal menor. "Agora, meu único medo é que, se perder, Humalla convoque seus seguidores para irem protestar nas ruas." Já o filho de Marote de 18 anos, que tem o mesmo nome do pai, votou pela primeira vez nessas eleições e escolheu Keiko, embora acredite que Humala seja o vencedor. "Vi nas pesquisas divulgadas lá fora que ele está na frente. Mas se ele perder acho que não vai ter nenhum problema. Ele já perdeu uma vez e não aconteceu nada", disse, sob o olhar de desaprovação do pai

Temor Nelli Flores, de 19 anos, eleitora de Keiko tem outro temor.

"Acho que se o Humalla ganhar, vai ser muito ruim para as empresas privadas, principalmente as pequenas, como a minha", disse a peruana, que tem um escritório de serviços de reformas.

Prestes a entrar na sala em que deveria votar, a enfermeira Lucia Vienueva, de 50 anos, afirmou que ainda não sabia em que ia votar.

"No primeiro turno, votei por PKK. Por isso acho que agora vou votar em Keiko", disse a Vienueva, em referência ao candidato Pedro Pablo Kuczynski, que passou a apoiar a candidata conservadora. "Na hora, vou fechar os olhos e escolher um dos dois."

Passado

Acompanhado pela mulher, Nadine Heredia, Humala votou pela manhã na Universidade Ricardo Palma, localizada no bairro de Surco, no centro de Lima.

Um pouco antes, ele saiu para correr no sul da capital, onde conversou com a imprensa.

"Temos que dar uma oportunidade ao que é novo. E temos que nos lembrar do passado na hora do voto", disse o candidato em referência aos anos de governo de Alberto Fujimori, pai de Keiko, que hoje cumpre pela de 25 anos por violação dos direitos humanos.

Já Keiko voto na escola Manuela Polo Jiménez, no mesmo bairro de Surco. O lado do marido, o americano Mark Vito Villanella, ela disse esperar que os peruanos votem pelo crescimento do país.

Propaganda eleitoral

Os primeiros resultados oficiais estão previstos para as 21h, mas a pesquisa de boca de urna e uma contagem rápida dos votos, feita por amostragem, devem ser divulgadas logo após o fechamento das urnas.

Logo após o fechamento das urnas, às 16h (18h no horário de Brasília), o chefe da missão da missão da Organanização dos Estados Americanos (OEA), que monitora a eleição peruana, Dante Caputo, disse que o segundo turno havia sido mais tenso que o primeiro, por enfrentar um cenário "muito mais polarizado".

"Mas tudo está bem tranquilo, até agora não tivemos nenhum inconveniente significativo", afirmou,

Na segunda-feira, a missão da OEA divulgará um primeiro informe sobre o processo eleitoral

A diretora do Departamento Nacional de Processos Eleitorais (ONPE, na sigla em espanhol), Magdalena Chú Villanuea, afirmou que houve pequenos incidentes durante a votação, mas nenhum que atrapalhasse o processo.

A maior parte das irregularidades registradas (77%) foram de propaganda eleitoral ilegal e, em seguida, problemas com os materiais de votação (10%), como cédulas e urnas.

A diretora do ONPE acompanhou parte da votação no distrito de Pacarán (no sul de Lima), onde um grupo de 1.354 peruanos testou a urna eletrônica pela primeira vez e qualificou como "histórico" o uso do software eleitoral. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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