Jim Lo Scalzo/ EFE
Jim Lo Scalzo/ EFE

Eleição nos EUA: Em época de caucus, Iowa vira rota de curiosos políticos

Primeira disputa do calendário eleitoral presidencial dos Estados Unidos atrai pesquisadores, eleitores, jornalistas e curiosos

Beatriz Bulla, enviada especial a Des Moines

04 de fevereiro de 2020 | 10h07

DES MOINES, ESTADOS UNIDOS - Bruce Stinebricker viajou de Indiana a Iowa para acompanhar o fim de semana prévio ao caucus democrata. Por que atravessar o Estado de Illinois por um fim de semana? Para ele, a resposta parece óbvia: "Sou cientista político, tenho todo o interesse de ver os candidatos nessa fase".

Ele levou a sério a missão e viu todos os candidatos em campanha. Só no caso de Joe Biden foram três vezes. Mas quem mais o surpreendeu não foi nenhum dos democratas, mas Joe Walsh, o republicano que tenta desafiar Donald Trump. "Eu o vi aqui e a força de seu discurso me impressionou muito", disse.

O fim de semana prévio ao caucus - a primeira disputa do calendário eleitoral presidencial - torna Iowa ponto turístico. Americanos aproveitam para ver pessoalmente os candidatos. 

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Com só 3 milhões de habitantes, a campanha presidencial em Iowa é quase uma campanha de vereador do interior. Quem quer ser presidente dos Estados Unidos encara grupos de 20 pessoas em cafés e restaurantes, e não apenas grandes comícios. 

"Em Iowa, presença física é extremamente importante. Cada eleitor espera se encontrar com os candidatos ao menos duas vezes", afirma John Zogby, estatístico americano dedicado às pesquisas eleitorais.

Todd O'Day já havia se encontrado com Joe Biden e não foi isso, portanto, que o atraiu a Des Moines. Mas ele aproveitou o fim de semana longe do seu trabalho na Microsoft e viajou desde Seattle para viver a véspera do caucus. "Biden se alinha a tudo o que eu quero, ele tem as maiores chances para ganhar de Trump. Sou um democrata para sempre", afirma.

Além dos curiosos, professores, jornalistas, pesquisadores e cientistas políticos que viajam para acompanhar a decisão do Estado e se juntam aos jovens contratados pelas campanhas eleitorais que chegam a Des Moines algumas semanas antes. 

Caroline Bollinger chegou em Iowa no começo de janeiro para trabalhar como voluntária na campanha de Elizabeth Warren. Desde então, é figura certa nas famosas filas de selfie da senadora a cada evento público. "Ela já trabalhou bastante no Senado e muito bem, mas pode fazer mais se for presidente", diz a jovem.

Caos em Iowa

A largada democrata na campanha presidencial foi marcada pela demora na apuração dos votos durante o processo em Iowa. Em meio ao atraso na contabilização dos resultados das prévias do partido, cujas razões ainda não foram esclarecidas, os pré-candidatos Bernie Sanders e Pete Buttigieg comemoraram antecipadamente a vitória no estado. O Partido Democrata de Iowa afirmou que o resultado oficial será divulgado em algum momento desta terça-feira, 4.

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