Ruth Fremson/The New York Times
Ruth Fremson/The New York Times

Eleição nos EUA: Por que os veículos de notícias têm contagens diferentes?

Alguns sites projetaram vitórias em Estados em que a apuração ainda não está completamente definida, e cada um costuma usar um serviço diferente de apuração

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2020 | 13h11

Quem está acompanhando a eleição americana por vários sites e jornais pode estar confuso com as diferentes contagens do total dos delegados que darão a vitória a Donald Trump ou Joe Biden no colégio eleitoral.

Isso ocorre porque alguns sites de notícias projetaram vitórias em Estados em que a apuração ainda não está completamente definida, e cada veículo de informação costuma usar um serviço diferente de apuração.

Como nos EUA não há Justiça Eleitoral, nem um órgão eleitoral nacional responsável pelas eleições, cada Estado organiza seus pleitos de maneira diferente, apura os votos de maneira diferente, e os contabiliza e divulga de maneira diferente.

Depois, os resultados são enviados para o Arquivo Nacional, que audita e manda para o Congresso para validação e proclamação. Os serviços mais tradicionais são de agências de notícias como a Agence France-Presse (AFP), a Associated Press e a Reuters. Veículos americanos costumam usar também serviços como o the Cook Political Report 270toWin.

O Estadão recebe dados do placar da agência de notícias AFP, que compila projeções da mídia americana, levando em consideração os veículos de maior credibilidade dos Estados Unidos.

Esses veículos trabalham com empresas de pesquisas e fazem o trabalho de campo de acompanhar as divulgações nos centros locais em cada Estado americano. Alguns fazem projeções da vitória, e contabilizam essa projeção em seus placares. É por causa das projeções que acontecem as divergências. O caso mais emblemático na eleição deste ano é do Arizona (com 11 votos no colégio eleitoral).

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Enquanto o Arizona está com 85% das urnas apuradas, vários veículos projetaram a vitória de Biden no Estado e passaram a contabilizar o resultado em seus placares; Fox News, Bloomberg, Financial Times e as agências AP e AFP somaram os 11 votos de Arizona para Biden. Outros veículos, como The New York Times, CNN e The Washington Post, consideraram que era muito cedo contabilizar os delegados do Arizona, onde a diferença em total de votos é pequena. 

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Isso levou alguns veículos a deixar Biden com 264 delegados, contabilizando os 11 delegados do Arizona, e outros com 253 delegados. O placar da AFP chegou a dar vitória para Biden no Arizona, mas mudou de posição no início da tarde desta quinta, passando para indefinido.

Modelos que usam projeções costumavam ser largamente utilizados, com acerto próximo dos 99%. No entanto, esse modelo, com a antecipação dos votos e as diferentes regras de apuração dos Estados, pode apresentar imprecisões. 

Segundo a Associated Press, só 5% dos votos foram enviados antes do dia da eleição em 1972. Há 4 anos, em 2016, o percentual saltou para 42,5%. E, em 2020, pela 1ª vez, os votos antecipados serão maioria: mais de 70%. O recorde foi impulsionado pela pandemia de covid-19.

Isso aumentou a imprecisão na divulgação dos resultados antecipados - e a projeção de vitória de um dos candidatos. Devido a disputa acirrada entre Trump e Biden em cada Estado, a confusão tende a continuar, até o total de votos ter sido contabilizado.

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