Eleição paquistanesa é marcada para 6 de setembro

País deve escolher o sucessor do ex-presidente Musharraf, que renunciou após pressões pelo seu impeachment

Agências internacionais,

22 de agosto de 2008 | 04h11

A escolha do sucessor do ex-presidente paquistanês, Pervez Musharraf, que renúnciou no início da semana para evitar um processo de impeachment, será realizada no próximo dia 6 de setembro, segundo afirmou a Comissão Eleitoral nesta sexta-feira, 22. O secretário da comissão, Kanwar Dilshad, disse que as candidaturas poderão ser registradas a partir do próximo dia 26.   Um colégio eleitoral formado pelos legisladores do Parlamento e o Senado nacionais e das quatro assembléias provinciais será o encarregado de designar o futuro presidente, após a renúncia de Musharraf na última segunda-feira . Ele estava no poder desde um golpe de Estado, em 1999, e vinha sofrendo pressões da coalizão que governava o país desde fevereiro, que ameaçava pedir o seu impeachment. Seu cargo foi ocupado interinamente pelo presidente do Senado, Mohamadmian Sumro.   O Partido Popular do Paquistão (PPP, principal do governo) promove a candidatura de seu líder e viúvo de Benazir Bhutto, Asif Alí Zardari,  embora a decisão deva ser ainda ratificada, previsivelmente nesta sexta, em reunião de sua direção. O segundo partido da coalizão de governo, a Liga Muçulmana-N do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, ainda não anunciou se apresentará um candidato alternativo.   Além disso, Sharif chegou a ameaçar se retirar da coalizão devido a um outro assunto - seu desejo de que os juízes demitidos pelo ex-presidente Musharraf tenham seu emprego de volta rapidamente. Segundo a BBC, Sharif concordou nesta sexta-feira em adiar o debate no Parlamento sobre a situação dos juízes para a próxima semana.   Zardari tem razões políticas e pessoais para se opor ao retorno dos juízes. O PPP teme que o próprio Zardari venha a ser processado se os juízes voltarem a seus postos. Os juízes, incluindo o presidente da Suprema Corte Iftikhar Chaudhry, poderiam reverter uma anistia polêmica concedida por Musharraf a Zardari e sua mulher Benazir Bhutto, no ano passado, que permitiu que o casal retornasse ao Paquistão.   Analistas dizem que apesar de o PPP e o PML-N terem trabalhado juntos para retirar Musharraf do posto, há um histórico de rivalidade intensa e desconfiança entre os dois principais partidos da coalizão governista. A coalizão foi formada depois das eleições realizadas em fevereiro, mas analistas dizem que o grupo não conseguiu encontrar soluções para a crise econômica do Paquistão e para a ação de militantes nas regiões tribais do noroeste do país, na fronteira com o Afeganistão.   Matéria atualizada às 9h20.

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